sexta-feira, 11 de março de 2011

Nas fisgas do Ermelo 20/03/2011


No próximo dia 20 de Março de 2011 será efectuado o percurso pedestre “Nas fisgas do Ermelo” na Serra do Alvão.

Conforme se pode constatar no mapa disponibilizado, o trilho contornará uma cascata com mais de 200 metros de extensão cavados em solo granítico ao longo de milénios de existência pelas águas calmas, mas perseverantes do rio Olo, que nasce no Parque Natural do Alvão.

Antes de se dar inicio ao contínuo de quedas de água teremos lagoas cristalinas, muito usadas nas épocas de veraneio, para uns bons mergulhos conforme o relato daqueles que já lá foram e nos deixaram “a pulga atrás da orelha”.

Para além disso, sabe-se que a Serra do Alvão é conhecida por possuir uma vegetação diversificada, onde os carvalhos são frequentes, assim como a aveleira, o azevinho, o castanheiro e o loureiro, formando bosques repletos de biodiversidade, o que será bastante interessante explorar.

Convém informar que este trilho, apesar de apresentar um nível de dificuldade baixo, não é oficial (logo não se encontra sinalizado). Assim, a orientação será efectuada exclusivamente com recurso ao mapa e ao GPS, pelo que os participantes deverão estar preparados para “o que der e vier” (geralmente são só coisas boas).

No entanto é um trilho muito popular na base de dados da Wikiloc, recomendado pelos blogs da especialidade.

O ponto de encontro para a viagem è o Mac Donalds dos Aliados, às 09:00 da manhã do dia da caminhada (é a referência mais prática para todos). Às 09:15 iniciamos a viagem de aproximadamente 1 hora e 30 minutos.

Não se esqueçam de levar comida, agua, impermeável, e botas de montanha.

Caso estejam interessados em participar mandem um e-mail de confirmação para evasaoverde@gmail.com.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Arribas do Cabo de São Vicente 08/03/2011

Depois de explorarmos os três trilhos pedestres de Odemira, ficamos com curiosidade em conhecer o fim da Costa Vicentina - o Cabo de São Vicente.

De acordo com o website “O Portal do Algarve”, o Cabo já era considerado um lugar sagrado nos tempos Neolíticos. Os antigos gregos chamavam-no de “Ophiussa” (Terra das Serpentes), habitado pelos “Oestriminis” (Gentes do Extremo Oeste), enquanto os romanos referiam-se ao Cabo como “Lugum Cineticum” - o lugar onde o sol era cem vezes maior que até fazia ferver o mar. Os cristãos seguiram a tradição e dedicaram a última zona da terra então conhecida a São Vicente, dando também o nome à costa adjacente (Costa Vicentina).

Conta a lenda que o corpo de São Vicente foi transportado no século IV para uma ermida erigida neste lugar remoto, que viria a ser destruída pelos “almorávidas” (monges guerreiros árabes) no século XII. Mais tarde, nos reinados de D. João III e D. Sebastião, foi aqui erguida uma fortaleza, que viria a ser destruída pelo corsário inglês Francis Drake e refeita em 1606.

Com uma paisagem indescritível, onde a terra com os seus rochedos corta o mar infinito, o Cabo de São Vicente é imagem do sentimento descobridor Português. Para norte, fica a costa atlântica batida pelos ventos, enquanto para leste está a costa algarvia de águas mais quentes e mar suave. Ainda hoje, boa parte da navegação comercial entre o Mediterrâneo e o Atlântico passa ao largo deste cabo, o que permite imaginar a riqueza arqueológica destes fundos.


O trilho “Arribas do Cabo de São Vicente”, com uma extensão de aproximadamente 10,5 km e um grau de dificuldade moderado, não se encontra sinalizado, tendo sido obtido a partir da Wikiloc, e realizado com o apoio de um dispositivo GPS.

Com inicio no parque de estacionamento do Núcleo Museológico do Farol de São Vicente, o trilho começou por percorrer as falésias do Cabo, com panorâmicas fantásticas do farol e das enseadas que o separam de Sagres, onde durante largos séculos os navios resguardaram-se dos ventos, esperando condições favoráveis para desafiar o Atlântico.

Quando chegamos próximo da Fortaleza de Belixe, depois de alguns quilómetros pela parte sudoeste, o trilho conduziu-nos para uma travessia através do interior do cabo, passando por uma área plana (paraíso autêntico dos botânicos e dos amantes do “Bird Watching”), com o azul do oceano como fundo, e um céu povoado por aves suspensas sobre o verde intenso da paisagem pintado com as cores das flores que despontam.

Entre as delicadas fragrâncias de uma vegetação rasteira e diversificada, chegamos à praia da Armação Nova. Abraçada por falésias colossais que surpreendem com a sua verticalidade e extensa projecção na linha de horizonte, a praia, localizada na costa noroeste do cabo, revela-se como um dos quadros mais sublimes do trilho.

O sol encontrava-se na iminência de mergulhar na linha do horizonte. Após uma breve pausa para contemplar a Armação Nova, continuamos a caminhada rumo ao farol que entretanto despertou com o seu pulsar intermitente, ao som do cântico dos grilos e das aves, que anunciavam o final do dia. As falésias tornaram-se azuladas, e a noite entretanto chegou.

Quando nos aproximamos do farol, a luz da lua em quarto crescente iluminava o vulto de um pescador e a sua cana de pesca com linha invisível sobre o abismo, contemplando a borda negra de um Atlântico nocturno onde as primeiras estrelas começavam a despontar.

Lapa das Pombas 06/03/2011

Deixamos o montado verdejante, repleto de aromas e cores, e seguimos para a costa, onde as falésias nos aguardavam. Depois de percorrermos o PR3 seguimos directamente para o PR1, iniciando o trilho a cerca de duas horas do por do sol.

Esta resolução ao final do dia teve algumas vantagens e algumas desvantagens. A principal vantagem resulta das fotos maravilhosas que se conseguiram obter antes do por do sol, com uma intensidade de cores surpreendente. A principal desvantagem foi não se ter conseguido obter fotos depois do por do sol, especialmente quando percorremos a borda do Atlântico sobre pedras e poças que permitiram efectuar uma lavagem completa da lama do PR3.

Com aproximadamente 8,9 km, o PR1 inicia-se no centro da aldeia de Almograve, e apresenta “oportunidades de melhoria significativas” no que diz respeito à sinalização. Essas “irregularidades” originaram a que por vezes nos afastássemos do trilho oficial, e perdêssemos alguns dos preciosos raios de sol que precisávamos para efectuar toda a caminhada antes da chegada da noite, conforme mandam as “boas práticas”.

O trilho foi efectuado no sentido contrário aos ponteiros do relógio, partindo da estrada em asfalto que nos trouxe a Almograve. Depois de alguns metros de estrada, surgiu um estradão de terra que conduziu-nos para uma larga área de pastoreio, que ao final de algum tempo converteu-se em duna, permitindo-nos alcançar as bordas das falésias que esculpem a Costa Vicentina.

Seguimos pelo alto das falésias, deslumbrados pela paisagem, até alcançarmos o riacho que atravessa a Praia da Foz do Ouriços. Depois de molhar os pés na travessia, seguimos para a base das falésias, percebendo mais tarde que o trilho oficial deveria seguir pelo topo das mesmas, e não pelas suas fundações, junto ao mar.

Depois de uma travessia “ousada” pelas pedras que sustentam o mergulho íngreme das falésias no oceano, chegamos à Praia principal de Almograve, onde pudemos finalmente subir em segurança através de uma escada instalada na rocha, e encontrar o passadiço em madeira do caminho oficial.

O troço final do trilho (o acesso à Lapa das Pombas), só foi realizado no dia seguinte, devido à hora tardia a que foi concluída a parte circular do PR1. Infelizmente, o dia 7 de Março acordou tempestuoso, e manteve-se assim durante toda a tarde. A chuva intensa impediu que se dispensasse o tempo necessário para obter fotos dignas do troço que liga Almograve ao porto de abrigo da Lapa das Pombas.

No entanto, ficaram registadas algumas imagens, que, apesar do “lusco-fusco” (do dia 6) e da tempestade (do dia 7), conseguem esboçar uma parte ínfima da grandiosidade das arribas da Costa Vicentina.

Para mais informações sobre o trilho clique aqui. Para obter o trilho em formato GPX ou KML, envie uma solicitação para evasaoverde@gmail.com.

Troviscais 06/03/2011

Com cerca de 13,6 km, o PR3 de Odemira começou no centro da aldeia de Troviscais, no largo do café, seguindo depois por um estradão através de montes verdejantes, vigiados por gado calmo que repousava na paisagem.

O caminho serpenteou por um eucaliptal, e lançou-se numa paisagem ampla, no lugar de Pampilhais. Ao fim de alguns minutos, a ribeira do Torgal surgiu ao longe rodeada de vacas que pastavam serenamente na margem esquerda.

Algumas nuvens passeavam lentamente no céu, enquanto percorríamos a margem direita da ribeira (até ao ponto de encontro com o Rio Mira) rodeados por aluviões e zonas de sapal, que por vezes originaram uns “enterranços” valentes na lama até ao tornozelo. Neste troço percebemos porque é que a altura recomendada para realizar o trilho encontra-se compreendida entre a Primavera e o Verão.

A dada altura surgiu um cenário excelente para os amantes do “Bird Watching”: o caminho desenvolveu-se no topo de uma represa natural, como uma ponte suspensa entre dois espelhos de água, revelando o habitat natural das garças, das cegonhas, dos guarda-rios e das galinhas de água que por ali habitam.

Depois de contornar parte do espelho de água o caminho conduziu-nos pela encosta, onde foi possível observar o serpentear do Rio Mira entre os montes, e os barcos de pescadores calmamente repousados na sua superfície.

Despedimo-nos do Mira, e seguimos por entre um bosque até uma área alagada, onde fomos novamente surpreendidos pela exuberância da avifauna… e por uma longa subida até ao centro da aldeia de Troviscais, temperada pelos aromas da lavanda e do alecrim, que se desprendiam da vegetação florida anunciando a chegada da Primavera.

Para mais informações sobre o trilho clique aqui. Para obter o trilho em formato GPX ou KML, envie uma solicitação para evasaoverde@gmail.com.