segunda-feira, 21 de março de 2011

Rota do Passado 26/03/2011

Pendurada nos Pirenéus, a Ibéria contempla um Atlântico repleto de navios naufragados e tesouros escondidos nos porões de caravelas que nunca chegaram aos portos de abrigo.

Desde a foz do Rio Minho, a costa portuguesa curva-se numa linha de praias e vilas de pescadores, escoltadas por montanhas verdejantes e frescas, palco de vidas e vivências marcadas pelo som das enxadas e dos tambores de gentes que fazem da terra uma grande canção.

Na próxima Evasão encurtaremos a distância que separa um norte húmido e ventoso (onde a Primavera ainda mal chegou) dos campos mais a sul, transbordantes de flores, já despertas por um clima solarengo. No interior do Alentejo profundo Évora aguarda-nos, juntamente com o seu passado milenar, evidenciado pelas Antas, Cromeleques e Menires dispersos num vasto território rico em história e tradições.

Desta vez a organização da caminhada será efectuada pelo grupo eborense Turisterra, que gentilmente se prontificou a conceder-nos o privilégio de apresentar-nos a região através de um trilho recente, particularmente promissor.

A Rota do Passado é um percurso circular com uma extensão de aproximadamente 18 km, com inicio/fim em Valverde, pequena povoação localizada em pleno coração da vasta região Alentejana (no sopé da Serra de Monfurado).


Toda a região manifesta importantes vestígios de ocupação humana desde períodos remotos, como se poderá observar na Anta Grande do Zambujeiro de Valverde (a Anta maior que se tem conhecimento em toda a Península Ibérica) ou no Castro do Castelo do Giraldo.

Nesta pacata povoação rural poderemos observar as ruas tradicionais Alentejanas de casario branco, animado com faixas coloridas que rodeiam janelas e portas, e contemplar o Convento de Bom Jesus de Valverde.

No decurso do percurso descobriremos a Villa Romana de Tourega (importante complexo termal Romano), o Moinho de Cavaterra, o Monte da Provença e a sua capela, calcorreando caminhos pedonais que atravessarão cursos de água e capítulos da história da humanidade.


O ponto de encontro para a caminhada è a entrada da Junta de Freguesia de Valverde, localizada nas coordenadas 38°32'0.96"N e 8°1'25.51"W às 10 horas da manhã do dia 26 de Março de 2011. Caso desejem participar deverão enviar e-mail de confirmação para evasaoverde@gmail.com, não esquecendo de levar comida, água, impermeável, e botas de montanha.

Caso desejem integrar o grupo que efectuará a deslocação para Évora ao final da tarde do dia 25 de Março de 2011 a partir do Norte, deverão enviar um e-mail para evasaoverde@gmail.com, para que possa ser organizada a logística da viagem.

Existe uma mais-valia cultural na ida antecipada para Sul: o concerto dos Terrakota que será realizado no dia 25 no Teatro Garcia Resende em Évora, no seguimento do tour de apresentação do novo álbum "World Massala" (caso desejem assistir ao concerto convém efectuar a reservas dos bilhetes com antecedência).

O regresso do grupo do Norte à Invicta será efectuado no dia 27 de Março de 2011 durante a tarde, após um passeio pelas muralhas de Évora que certamente contemplará uma visita ao Templo de Diana.

Natureza, História, Música, e boa Gastronomia serão as palavras-chave de uma Evasão multicolor a um Alentejo verde que valerá a pena descobrir.

domingo, 20 de março de 2011

Nas fisgas do Ermelo | Fotos

Depois de um excelente dia de sol, com temperaturas a rondar os 20 graus, e boa disposição com rating altamente positivo, resta proceder ao registo de mais uma Evasão no nosso “diário de bordo”.

O trilho previsto, com aproximadamente 10 km, foi iniciado em Varzigueto, aldeia tradicional composta por casas rurais construídas em granito, rodeadas por pastagens verdes e férteis, irrigadas pelas águas “bem oxigenadas” do rio Olo.

À chegada, a aldeia brindou-nos com uma Taberna acolhedora, de terraço soalheiro e ampla mesa, onde pudemos calmamente desfrutar do nosso almoço com vistas amplas para o povoado e para os montes envolventes.

Depois de um almoço animado com uma conversa franca com a anfitriã, a caminhada principiou por um caminho rural que nos conduziu até a primeira travessia do Olo, que foi realizada saltando de "pedra em pedra", numa passagem relativamente acessível para todos aqueles que possuem o mínimo de destreza física.

Deixando o rio para trás por uns instantes, efectuamos uma suave subida por uma área moderadamente arborizada até um planalto onde pudemos desfrutar de horizontes amplos sobre as serranias envolventes, e sobre uma mancha densa de pinheiral para a qual nos dirigimos.

O pinheiral trouxe um pouco de frescura a uma caminhada brindada pela companhia de um sol jovial de Primavera que já aquece, e acelera as necessidades de hidratação, especialmente em áreas expostas à sua influência directa. Entre os pinheiros surgiu uma área aberta onde foi possível contemplar o Monte da “Senhora da Graça”, local onde é efectuada a mítica subida na Volta a Portugal em Bicicleta.

Deixamos o pinheiral e seguimos finalmente para as Fisgas do Ermelo. A nossa visão do trilho transformou-se: o caminho que estava a ser “pouco exigente fisicamente”, com “vistas fantásticas”, e “diversos interesses paisagísticos”, passou a ser, ao longo de cerca de 1 km, “moderadamente exigente”, com “vistas fabulosamente inacreditáveis”, e com “risco de queda em altura moderado”, facilmente controlado devido ao tempo seco, e à passada calma e planeada do grupo.

Tudo correu pelo melhor! Explorar a sucessão de cascatas que constituem as Fisgas foi estar em contacto com um "postal real" de um dos verdadeiros e mais preciosos tesouros naturais de Portugal. Convém referir que entre as cascatas verificamos que existem lagoas, relativamente acessíveis, que se afiguram óptimas piscinas para o Verão que se aproxima.

Numa parte mais a montante das escarpas tivemos que atravessar novamente o Olo, deste vez descalços, num local onde o principal inconveniente foi o frio da água cristalina que nos recorda a nossa recente saída do Inverno, e nos fez guardar os mergulhos nas lagoas para daqui a “uns mesitos”.

Depois de mais umas panorâmicas das escarpas, voltamos aos caminhos rurais, onde fomos saudados por grupos de cabras nas encostas e por uma subida calma e ensolarada até à bela aldeia de Varzigueto.

Escusado será dizer, que depois de um dia tão bem passado, terminamos onde começamos: na Taberna!

Fomos brindados com aperitivos bem preparados, maravilhosamente acompanhados por um vinho branco de qualidade superior, encarado como “o vinho da casa”. A anfitriã mostrou-se bastante acolhedora, e informou-nos que depois de futuras caminhadas podemos agendar uma jantarada na Taberna, onde poderão ser servidos os grandes pratos da cozinha nortenha, iluminados pelos raios de sol que se perdem entre as montanhas, na boa mesa do terraço.

E foi já depois do por do sol que partimos rumo ao Porto, deixando o Alvão com um ceú azul-escuro, recortado pelas montanhas que aguardavam a chegada do luar.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Nas fisgas do Ermelo 20/03/2011


No próximo dia 20 de Março de 2011 será efectuado o percurso pedestre “Nas fisgas do Ermelo” na Serra do Alvão.

Conforme se pode constatar no mapa disponibilizado, o trilho contornará uma cascata com mais de 200 metros de extensão cavados em solo granítico ao longo de milénios de existência pelas águas calmas, mas perseverantes do rio Olo, que nasce no Parque Natural do Alvão.

Antes de se dar inicio ao contínuo de quedas de água teremos lagoas cristalinas, muito usadas nas épocas de veraneio, para uns bons mergulhos conforme o relato daqueles que já lá foram e nos deixaram “a pulga atrás da orelha”.

Para além disso, sabe-se que a Serra do Alvão é conhecida por possuir uma vegetação diversificada, onde os carvalhos são frequentes, assim como a aveleira, o azevinho, o castanheiro e o loureiro, formando bosques repletos de biodiversidade, o que será bastante interessante explorar.

Convém informar que este trilho, apesar de apresentar um nível de dificuldade baixo, não é oficial (logo não se encontra sinalizado). Assim, a orientação será efectuada exclusivamente com recurso ao mapa e ao GPS, pelo que os participantes deverão estar preparados para “o que der e vier” (geralmente são só coisas boas).

No entanto é um trilho muito popular na base de dados da Wikiloc, recomendado pelos blogs da especialidade.

O ponto de encontro para a viagem è o Mac Donalds dos Aliados, às 09:00 da manhã do dia da caminhada (é a referência mais prática para todos). Às 09:15 iniciamos a viagem de aproximadamente 1 hora e 30 minutos.

Não se esqueçam de levar comida, agua, impermeável, e botas de montanha.

Caso estejam interessados em participar mandem um e-mail de confirmação para evasaoverde@gmail.com.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Arribas do Cabo de São Vicente 08/03/2011

Depois de explorarmos os três trilhos pedestres de Odemira, ficamos com curiosidade em conhecer o fim da Costa Vicentina - o Cabo de São Vicente.

De acordo com o website “O Portal do Algarve”, o Cabo já era considerado um lugar sagrado nos tempos Neolíticos. Os antigos gregos chamavam-no de “Ophiussa” (Terra das Serpentes), habitado pelos “Oestriminis” (Gentes do Extremo Oeste), enquanto os romanos referiam-se ao Cabo como “Lugum Cineticum” - o lugar onde o sol era cem vezes maior que até fazia ferver o mar. Os cristãos seguiram a tradição e dedicaram a última zona da terra então conhecida a São Vicente, dando também o nome à costa adjacente (Costa Vicentina).

Conta a lenda que o corpo de São Vicente foi transportado no século IV para uma ermida erigida neste lugar remoto, que viria a ser destruída pelos “almorávidas” (monges guerreiros árabes) no século XII. Mais tarde, nos reinados de D. João III e D. Sebastião, foi aqui erguida uma fortaleza, que viria a ser destruída pelo corsário inglês Francis Drake e refeita em 1606.

Com uma paisagem indescritível, onde a terra com os seus rochedos corta o mar infinito, o Cabo de São Vicente é imagem do sentimento descobridor Português. Para norte, fica a costa atlântica batida pelos ventos, enquanto para leste está a costa algarvia de águas mais quentes e mar suave. Ainda hoje, boa parte da navegação comercial entre o Mediterrâneo e o Atlântico passa ao largo deste cabo, o que permite imaginar a riqueza arqueológica destes fundos.


O trilho “Arribas do Cabo de São Vicente”, com uma extensão de aproximadamente 10,5 km e um grau de dificuldade moderado, não se encontra sinalizado, tendo sido obtido a partir da Wikiloc, e realizado com o apoio de um dispositivo GPS.

Com inicio no parque de estacionamento do Núcleo Museológico do Farol de São Vicente, o trilho começou por percorrer as falésias do Cabo, com panorâmicas fantásticas do farol e das enseadas que o separam de Sagres, onde durante largos séculos os navios resguardaram-se dos ventos, esperando condições favoráveis para desafiar o Atlântico.

Quando chegamos próximo da Fortaleza de Belixe, depois de alguns quilómetros pela parte sudoeste, o trilho conduziu-nos para uma travessia através do interior do cabo, passando por uma área plana (paraíso autêntico dos botânicos e dos amantes do “Bird Watching”), com o azul do oceano como fundo, e um céu povoado por aves suspensas sobre o verde intenso da paisagem pintado com as cores das flores que despontam.

Entre as delicadas fragrâncias de uma vegetação rasteira e diversificada, chegamos à praia da Armação Nova. Abraçada por falésias colossais que surpreendem com a sua verticalidade e extensa projecção na linha de horizonte, a praia, localizada na costa noroeste do cabo, revela-se como um dos quadros mais sublimes do trilho.

O sol encontrava-se na iminência de mergulhar na linha do horizonte. Após uma breve pausa para contemplar a Armação Nova, continuamos a caminhada rumo ao farol que entretanto despertou com o seu pulsar intermitente, ao som do cântico dos grilos e das aves, que anunciavam o final do dia. As falésias tornaram-se azuladas, e a noite entretanto chegou.

Quando nos aproximamos do farol, a luz da lua em quarto crescente iluminava o vulto de um pescador e a sua cana de pesca com linha invisível sobre o abismo, contemplando a borda negra de um Atlântico nocturno onde as primeiras estrelas começavam a despontar.