quarta-feira, 30 de março de 2011

Percurso da Água 03/04/2011


No próximo dia 3 de Abril de 2011 será efectuado o “Percurso da Água” na Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d'Arcos, em Ponte de Lima.

Com aproximadamente 12,79 quilómetros de extensão, e um grau de dificuldade considerado “fácil”, o trilho passa por uma variedade de habitats (zonas húmidas, bosques de vegetação natural, pastagens, áreas agrícolas) ao longo de pequenos cursos de água atravessados pelo rio Estorãos.

De acordo com a informação fornecida pelo site oficial das Lagoas de Bertiandos, poderemos desfrutar de uma vegetação variada, constituída por amieiros, carvalhos, salgueiros e vidoeiros, que conferem ao local “potencialidades particulares em termos de habitat de alimentação e refúgio para várias espécies de fauna”.

O site também refere que “em termos de flora e vegetação, a zona apresenta um interesse elevado, que se traduz no registo de aproximadamente 80 espécies vegetais consideradas raras ou em vias de extinção”, o que confere ao local um estatuto de protecção na Rede Natura 2000.

Uma motivação adicional para a realização deste trilho são as próprias lagoas, que se espera que estejam bem cheias devido à chuva que se tem feito sentir, o que é particularmente propício para que se possa desfrutar dos cursos de água e zonas lagunares em todo o seu esplendor.

O ponto de encontro para a viagem è o Mac Donalds dos Aliados, às 09:00 da manhã do dia da caminhada (é a referência mais prática para todos). Às 09:15 iniciamos a viagem de aproximadamente 1 hora.

Não se esqueçam de levar comida, agua, impermeável, e botas de montanha.

Caso estejam interessados em participar mandem um e-mail de confirmação para evasaoverde@gmail.com.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Rota do Passado | Fotos

A planície Alentejana encontra-se repleta de mistérios antigos que se escondem entre as pedras de antas, castelos e templos. A “Rota do Passado”, para além de contemplar uma componente paisagística bastante diversificada, foi uma autêntica viagem no tempo.

O trilho proposto pela Organizações Turisterra permitiu-nos visitar locais de enorme riqueza histórica, de uma forma que superou as nossas expectativas.


Iniciamos a caminhada em Valverde, onde os nossos anfitriões nos aguardavam hospitaleiramente. As condições meteorológicas ameaçavam aguaceiros, que só apareceram verdadeiramente no final do trilho. Durante o dia as nuvens foram dando algumas oportunidades de o sol brilhar, permitindo que este despertasse as flores que pontilhavam o verde intenso das pastagens com brancos, amarelos e lilases.

Começamos por um caminho florido, que passou por antigas pastagens, que se encontravam repletas de água e girinos. Ao final de algum tempo foi possível contemplar um dos pontos de especial interesse do dia: o monte onde se encontram as ruínas do “Castelo de Giraldo”.

O “Castelo de Giraldo” é essencialmente um antigo castro da idade do bronze, cuja muralha subsistiu até ao presente. Para além disso, existem escritos do século XV que se referem à fortificação, associando-a à presença de Giraldo “Sem Pavor”, guerreiro que conquistou Évora aos muçulmanos em 1165, tendo utilizado o monte como um ponto estratégico para conseguir o seu objectivo.

Para chegarmos ao “Castelo” tivemos que subir o Monte da Provença, passando pela sua capela, repleta de recordações de promessas feitas por gentes de “alma lusa”: mulheres que viram os maridos partir para a guerra, mães que pediram ao divino a cura para os males dos filhos, gentes que sofreram com a fome e suplicaram por mesas mais fartas. Os Turisterra, conhecedores das gentes e dos locais, solicitaram à cuidadora da igreja que nos abrisse a porta deste local repleto de sentimento e sombras de relíquias antigas, que ilustram o espírito de ser português num Portugal real.

Respeitosamente partimos, continuando a subida da Provença através de uma área onde o caminho fora recentemente lavrado, sem "motivos compreensíveis", uma vez que encontrávamo-nos numa zona arborizada.

Uma vez chegados às muralhas do “Castelo” pudemos avistar a cidade de Évora e a aldeia de Valverde, e fazer uma pausa para observar a área por onde se iria estender o nosso caminho.

Descemos do monte do "Castelo" através de um bosque de eucaliptos, onde foi possível avistar algumas colmeias (felizmente o tempo estava suficientemente húmido para manter as abelhas ocupadas nas suas lides domésticas), e seguimos novamente até às imediações de Valverde, passando por um charco repleto de rãs.

Atravessamos a ribeira de Valverde e seguimos pelo Montado rumo à Anta grande do Zambujeiro. O caminho encontrava-se ladeado de pastagens imensas pontuadas por sobreiros e vacas que pastavam calmamente.

A Anta aguardava pacientemente por nós. Considerada como a maior da Península, transporta-nos para o Neolítico, tempo em que foi utilizada para enterrar e homenagear os mortos, servindo provavelmente também como um Santuário para os vivos.

O caminho curvou novamente para as imediações de Valverde, passando perto do Aqueduto do Conventinho do Bom Jesus, mandado edificar no século XVI pelo Cardeal Infante Dom Henrique, primeiro arcebispo de Évora e futuro rei Henrique I de Portugal, nos terrenos da Quinta do Paço de Valverde, para albergar uma comunidade de frades capuchos.

Os capuchos ficaram para trás e seguimos para uma área de pasto, diversificada na sua ocupação. Porcos pretos, bois, e ovelhas receberam-nos calmamente com o seu sorriso enigmático, que se alargou quando partilhamos com eles alguma fruta que trazíamos na mochila.

Deixamos o gado por alguns momentos, e mergulhamos em planícies verdes vigiadas por Antas e cegonhas que descreviam longas parábolas sobre as nossas cabeças. Do caminho avistamos a Anta da Mitra, a Anta do Álamo, passamos por um charco repleto de avifauna, até que chegamos à pequena e sincera Igreja da Nossa Senhora de Tourega. Mais uma vez, os Turisterra contactaram o cuidador do local, que gentilmente nos abriu a porta do templo para que pudessemos conhecer o seu interior antigo repleto de significados.

Deixando Nossa Senhora de Tourega, dirigimo-nos para o amplo complexo termal da Villa Romana, utilizada desde meados do século I até finais do século IV d.C. como “SPA” junto à estrada romana que ligava Évora a Alcácer do Sal.

Hoje restam apenas três tanques de banhos, de planta rectangular, construídos por muros de argamassa, que nos recordam um passado remoto, agora presente sobre o espelho de água da barragem da Tourega.

Seguimos para jusante da barragem, contemplando o sistema de arejamento da água da albufeira, água esta que passa sobre toda a extensão da estrutura, descendo por uma sucessão de escadas até à sua restituição à ribeira.

Posteriormente, o nosso guia dos Turisterra conduziu-nos para a margem da albufeira, para supostamente “contemplarmos as vistas”. Subitamente, no horizonte surgiu um barco “zebra” com um condutor hospitaleiro que se aproximou da margem, convidando-nos para entrar. O navegador (dos Turisterra) conduziu-nos ao longo de aproximadamente 1,5 quilómetros pela albufeira, poupando-nos um troço pedestre do caminho, que se converteu em navegação sobre as águas calmas da Tourega.

Os Turisterra tinham mais uma surpresa depois da viagem de barco: quando atracamos na outra margem tínhamos um churrasco à nossa espera, acompanhado de bom vinho e boa companhia.

Colocado o barco em terra, seguimos rumo ao Moinho do Cavaterra, acompanhando a bela Ribeira de Valverde. Atravessamos uma ponte pedonal, já ao entardecer, e seguimos por uma área semi-alagada que nos conduziu até à aldeia, sempre próximos do curso de água.

A beleza natural deste troço foi uma constante até ao final do trilho, que incluiu uma pequena paragem para admirar a fonte onde se encontra a estátua de Moisés (já em Valverde).

Quando percorríamos os últimos metros de caminho rumo ao café da Junta de Freguesia (local onde tínhamos deixamos as nossas viaturas), a chuva entretanto fez-se sentir, assim como a satisfação genuína de ter efectuado um belíssimo trilho, na companhia de um grupo de caminhadas acolhedor, que impulsiona de uma forma hospitaleira e informada, a divulgação do património histórico e natural de um Alentejo que vale a pena descobrir “passo a passo”.

Muito gratos partimos, com o desejo de voltar para descobrir muitos outros pontos de interesse que existem na região, e desfrutar da boa companhia dos nossos camaradas do Sul.

Esculpida sob um céu surpreendentemente estrelado, Évora aguardava-nos com um bom jantar.
No Domingo, o prometido foi devido: a visita ao Templo de Diana.

Após o excelente concerto de Terrakota (Sexta-Feira), a descoberta da “Rota do Passado” na companhia dos Turisterra (Sábado), a visita ao Templo de Diana e ao centro histórico de Évora (Domingo), decidimos seguir para o Cromeleque dos Almendres, onde encerramos a nossa Evasão, rodeados por um círculo de pedras milenares, daquele que provavelmente foi um dos mais importantes observatórios astronómicos da antiguidade.


Com as botas cheias de terra, e a mente repleta de paisagens autênticas, deixamos um Alentejo florido, transbordante de natureza e mística, que nos aguarda para uma próxima Evasão.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Rota do Passado 26/03/2011

Pendurada nos Pirenéus, a Ibéria contempla um Atlântico repleto de navios naufragados e tesouros escondidos nos porões de caravelas que nunca chegaram aos portos de abrigo.

Desde a foz do Rio Minho, a costa portuguesa curva-se numa linha de praias e vilas de pescadores, escoltadas por montanhas verdejantes e frescas, palco de vidas e vivências marcadas pelo som das enxadas e dos tambores de gentes que fazem da terra uma grande canção.

Na próxima Evasão encurtaremos a distância que separa um norte húmido e ventoso (onde a Primavera ainda mal chegou) dos campos mais a sul, transbordantes de flores, já despertas por um clima solarengo. No interior do Alentejo profundo Évora aguarda-nos, juntamente com o seu passado milenar, evidenciado pelas Antas, Cromeleques e Menires dispersos num vasto território rico em história e tradições.

Desta vez a organização da caminhada será efectuada pelo grupo eborense Turisterra, que gentilmente se prontificou a conceder-nos o privilégio de apresentar-nos a região através de um trilho recente, particularmente promissor.

A Rota do Passado é um percurso circular com uma extensão de aproximadamente 18 km, com inicio/fim em Valverde, pequena povoação localizada em pleno coração da vasta região Alentejana (no sopé da Serra de Monfurado).


Toda a região manifesta importantes vestígios de ocupação humana desde períodos remotos, como se poderá observar na Anta Grande do Zambujeiro de Valverde (a Anta maior que se tem conhecimento em toda a Península Ibérica) ou no Castro do Castelo do Giraldo.

Nesta pacata povoação rural poderemos observar as ruas tradicionais Alentejanas de casario branco, animado com faixas coloridas que rodeiam janelas e portas, e contemplar o Convento de Bom Jesus de Valverde.

No decurso do percurso descobriremos a Villa Romana de Tourega (importante complexo termal Romano), o Moinho de Cavaterra, o Monte da Provença e a sua capela, calcorreando caminhos pedonais que atravessarão cursos de água e capítulos da história da humanidade.


O ponto de encontro para a caminhada è a entrada da Junta de Freguesia de Valverde, localizada nas coordenadas 38°32'0.96"N e 8°1'25.51"W às 10 horas da manhã do dia 26 de Março de 2011. Caso desejem participar deverão enviar e-mail de confirmação para evasaoverde@gmail.com, não esquecendo de levar comida, água, impermeável, e botas de montanha.

Caso desejem integrar o grupo que efectuará a deslocação para Évora ao final da tarde do dia 25 de Março de 2011 a partir do Norte, deverão enviar um e-mail para evasaoverde@gmail.com, para que possa ser organizada a logística da viagem.

Existe uma mais-valia cultural na ida antecipada para Sul: o concerto dos Terrakota que será realizado no dia 25 no Teatro Garcia Resende em Évora, no seguimento do tour de apresentação do novo álbum "World Massala" (caso desejem assistir ao concerto convém efectuar a reservas dos bilhetes com antecedência).

O regresso do grupo do Norte à Invicta será efectuado no dia 27 de Março de 2011 durante a tarde, após um passeio pelas muralhas de Évora que certamente contemplará uma visita ao Templo de Diana.

Natureza, História, Música, e boa Gastronomia serão as palavras-chave de uma Evasão multicolor a um Alentejo verde que valerá a pena descobrir.

domingo, 20 de março de 2011

Nas fisgas do Ermelo | Fotos

Depois de um excelente dia de sol, com temperaturas a rondar os 20 graus, e boa disposição com rating altamente positivo, resta proceder ao registo de mais uma Evasão no nosso “diário de bordo”.

O trilho previsto, com aproximadamente 10 km, foi iniciado em Varzigueto, aldeia tradicional composta por casas rurais construídas em granito, rodeadas por pastagens verdes e férteis, irrigadas pelas águas “bem oxigenadas” do rio Olo.

À chegada, a aldeia brindou-nos com uma Taberna acolhedora, de terraço soalheiro e ampla mesa, onde pudemos calmamente desfrutar do nosso almoço com vistas amplas para o povoado e para os montes envolventes.

Depois de um almoço animado com uma conversa franca com a anfitriã, a caminhada principiou por um caminho rural que nos conduziu até a primeira travessia do Olo, que foi realizada saltando de "pedra em pedra", numa passagem relativamente acessível para todos aqueles que possuem o mínimo de destreza física.

Deixando o rio para trás por uns instantes, efectuamos uma suave subida por uma área moderadamente arborizada até um planalto onde pudemos desfrutar de horizontes amplos sobre as serranias envolventes, e sobre uma mancha densa de pinheiral para a qual nos dirigimos.

O pinheiral trouxe um pouco de frescura a uma caminhada brindada pela companhia de um sol jovial de Primavera que já aquece, e acelera as necessidades de hidratação, especialmente em áreas expostas à sua influência directa. Entre os pinheiros surgiu uma área aberta onde foi possível contemplar o Monte da “Senhora da Graça”, local onde é efectuada a mítica subida na Volta a Portugal em Bicicleta.

Deixamos o pinheiral e seguimos finalmente para as Fisgas do Ermelo. A nossa visão do trilho transformou-se: o caminho que estava a ser “pouco exigente fisicamente”, com “vistas fantásticas”, e “diversos interesses paisagísticos”, passou a ser, ao longo de cerca de 1 km, “moderadamente exigente”, com “vistas fabulosamente inacreditáveis”, e com “risco de queda em altura moderado”, facilmente controlado devido ao tempo seco, e à passada calma e planeada do grupo.

Tudo correu pelo melhor! Explorar a sucessão de cascatas que constituem as Fisgas foi estar em contacto com um "postal real" de um dos verdadeiros e mais preciosos tesouros naturais de Portugal. Convém referir que entre as cascatas verificamos que existem lagoas, relativamente acessíveis, que se afiguram óptimas piscinas para o Verão que se aproxima.

Numa parte mais a montante das escarpas tivemos que atravessar novamente o Olo, deste vez descalços, num local onde o principal inconveniente foi o frio da água cristalina que nos recorda a nossa recente saída do Inverno, e nos fez guardar os mergulhos nas lagoas para daqui a “uns mesitos”.

Depois de mais umas panorâmicas das escarpas, voltamos aos caminhos rurais, onde fomos saudados por grupos de cabras nas encostas e por uma subida calma e ensolarada até à bela aldeia de Varzigueto.

Escusado será dizer, que depois de um dia tão bem passado, terminamos onde começamos: na Taberna!

Fomos brindados com aperitivos bem preparados, maravilhosamente acompanhados por um vinho branco de qualidade superior, encarado como “o vinho da casa”. A anfitriã mostrou-se bastante acolhedora, e informou-nos que depois de futuras caminhadas podemos agendar uma jantarada na Taberna, onde poderão ser servidos os grandes pratos da cozinha nortenha, iluminados pelos raios de sol que se perdem entre as montanhas, na boa mesa do terraço.

E foi já depois do por do sol que partimos rumo ao Porto, deixando o Alvão com um ceú azul-escuro, recortado pelas montanhas que aguardavam a chegada do luar.