domingo, 18 de agosto de 2013

O Caminho do Norte: de Ribadeo a Finisterra | Fotos

Para a maioria dos Peregrinos Santiago é o destino final, não colocando sequer a hipótese de seguir até Finisterra e Muxia. No entanto, o caminho para a Costa da Morte oferece uma ocasião excecional para ver a Galiza em todo o seu esplendor.
Apesar de supostamente o corpo do apóstolo Tiago repousar em Compostela, a rota das estrelas continua inundada pelo espírito do caminho até ao “Fim da Terra”.
Embora haja muita informação sobre o Caminho de Santiago, a rota até Finisterra não está tão bem documentada. De acordo com John Bierley no livro “Caminho Finisterre A Practical & Mystical Manual for the modern day Pilgrim” «seria perdoável pensar que existe uma conspiração, dissuadindo os peregrinos de viajar até ao fim do mundo, e ao fim do caminho».
Talvez seja a conexão de Finisterra com o seu passado pagão. O Sol ao despontar sobre o Monte Pindo, elevando-se a este, inundava de luz a porta de entrada na Ermida de São Guilherme, no entanto, no ocaso, o por do Sol ocorreria na “Terra da Juventude Eterna”, Tir-na-nóg, no horizonte a oeste, vigiado pelo altar pagão ao Sol de Ara Solis. O misterioso Cabo Finisterra marcava a fronteira entre um ponto de referência cristão a este, e uma orientação pagã a oeste.
De acordo com John Bierley, na Idade Média o foco de espiritualidade dentro de Espanha restringiu-se a Santiago de Compostela, enquanto para o resto do mundo, o foco da espiritualidade estava mais a oeste em Finisterra. Por isso, quase todas as referências a Finisterra provêem de viajantes estrangeiros e historiadores, desde Ptolomeu do Egipto, no início da era cristã, até George Borrow no século XVIII.
Seja qual for a causa da sua relativa obscuridade, o certo é que apenas 5% dos peregrinos que chegam a Santiago seguem para Finisterra. No entanto a sua popularidade está crescendo, e começa a ser percebida como uma extensão do caminho principal, convertendo-se no lugar de chegada ao “Fim do Mundo”.
Nesta Evasão, iniciamos a nossa viagem em Ribadeo, na entrada do antigo Reino das Astúrias. Seguimos o Caminho do Norte que passa nesta pequena povoação galega, que conduziu tantos peregrinos que vinham por terra desde França, ou por mar desembarcando nos portos vascos e cantábricos, procedentes de países atlânticos como a Inglaterra, a Flandres, a Alemanha e a Escandinávia.
Uma vez chegados a Castropol, os peregrinos embarcavam para cruzar a ria de Ribadeo, ou bordeavam a sua margem direita até à ponte de Santiago, passando aí para terras galegas. Na Galiza, a rota de peregrinação está bem documentada, partindo da Vila de Ribadeo, porto de desembarque de peregrinos, seguindo pelos vales de Vila Nova de Lourenzá e Mondonedo, cruzando as terras altas de Vilalba e Guitiriz, recebendo a hospitalidade do Mosteiro de Sobrado dos Monxes, antes de unir-se em Arzua ao Caminho Francês. Em poucas jornadas mais, os peregrinos estariam diante da tumba do apóstolo.
Depois de Santiago, seguimos para Negreira, Olveiroa, entrando na Costa da Morte através de Muxia, seguindo posteriormente até Finisterra. As pedras de Ara Solis aguardavam-nos como sempre no final do caminho, no local onde o Sol se esconde por detrás da Terra.
Ficam algumas imagens do caminho e as palavras de John Tolkien no livro “Lord of the Rings”.

The Road goes ever on and on,
Down from the door where it began.
Now far ahead the Road has gone,
And I must follow, if I can,
Pursuing it with eager feet,
Until it joins some larger way
Where many paths and errands meet.
And whither then? I cannot say.

domingo, 28 de julho de 2013

O Caminho do Norte: de Ribadeo a Finisterra

No dia 4 de Agosto de 2013 vamos partir de Ribadeo, pequena povoação localizada na fronteira entre as Astúrias e a Galiza, seguindo pelo antigo Caminho do Norte e pelo Caminho da Costa da Morte até Finisterra.
Passaremos por Santiago de Compostela, entraremos na Costa da Morte através de Muxia, e finalizaremos o Caminho no farol do cabo Finisterra ao por do sol do dia 16 de Agosto de 2013.
O Cabo Finisterra: o final do Caminho de Santiago de Compostela na Costa da Morte | Clica na imagem
No decurso da atividade vamos atravessar a Galiza de lés a lés em 13 etapas, de acordo com o seguinte agendamento:
Etapa 1 | Ribadeo » Lourenzá | 4 de Agosto | 30 km
Etapa 2 | Lourenzá » Gontán (1ª parte e 2ª parte) | 5 de Agosto | 23 km
Etapa 3 | Gontán » Vilalba | 6 de Agosto | 24 km
Etapa 4 | Vilalba » Baamonde | 7 de Agosto | 18 km
Etapa 5 | Baamonde » Miraz | 8 de Agosto | 20 km
Etapa 6 | Miraz » Sobrado | 9 de Agosto | 21 km
Etapa 7 | Sobrado » Arzúa | 10 de Agosto | 19 km
Etapa 8 | Arzúa » O Pedrouzo | 11 de Agosto | 19 km
Etapa 9 | O Pedrouzo » Santiago | 12 de Agosto | 20 km
Etapa 10 | Santiago » Negreira | 13 de Agosto | 21 km
Etapa 11 | Negreira » Olveiroa | 14 de Agosto | 37 km
Etapa 12 | Olveiroa » Muxia | 15 de Agosto | 28 km
Etapa 13 | Muxia » Finisterra (1ª parte e 2ª parte) | 16 de Agosto | 30 km
Para obteres mais informações sobre o Caminho, clica nos links associados a cada etapa. O site Xacobeo Galicia têm toda a informação que necessitas para explorar as jornadas desta Evasão.
Para inscrições e informação adicional contacta evasaoverde@gmail.com.
Um bom caminho para todos!

Pelos Jardins até à Serra do Buçaco | Fotos

No dia 28 de Julho de 2013 percorremos o conjunto monumental do Buçaco, que mobiliza uma riqueza patrimonial de exceção. Ao núcleo central formado pelo Palace Hotel do Buçaco e pelo convento de Santa Cruz juntam-se as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõe a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Buçaco, os cruzeiros, as fontes e as cisternas, os miradouros ou as casas florestais.
O percurso com aproximadamente 15 quilómetros permitiu desvendar locais fascinantes como o convento de Santa Cruz, construído na simplicidade eremítica do Deserto, apresentando uma planta única em Portugal: a igreja domina um espaço sem claustros, com os pátios a imprimir regularidade ao conjunto. Ou seja, de acordo com a fundação mata do Buçaco, “nesta originalíssima ideia de usufruto espiritual é a igreja que se inscreve dentro de um espaço claustral simulado, recuperando a organização da ideia mítica do Templo de Jerusalém”.
Dentro da cerca conventual, apesar da extinção em 1834 da ordem dos Carmelitas descalços do Buçaco, subsistem as capelas de devoção e as ermidas de habitação, construídas para a vontade religiosa de reclusão. Todas elas atestam o desejo em torno do ideal de ascetismo e despreendimento material.
A partir de 1644, sob a égide de Dão Manuel Saldanha, reitor da Universidade de Coimbra, ergueu-se, à imagem de Jerusalém, uma Via Sacra de fortíssimos contornos ideológicos e propagandísticos, destinada a representar os passos da paixão de Jesus Cristo.
A 27 de Setembro de 1810 a mata foi palco da Batalha do Buçaco, um dos episódios sangrentos das invasões napoleónicas em Portugal, tendo o convento servido de base de operações ao Duque de Wellington no confronto entre as tropas luso-britânicas e francesas.
O Palace Hotel, construído entre 1888 e 1907, é considerado um dos pontos de maior interesse de todo o conjunto. Sob o projeto do cenógrafo italiano Luigi Marini, o edifício inscreve-se no cruzamento cultural de sentido romântico e nacionalista que absorve influências manuelinas e renascentistas.
Exploramos todos estes locais, mergulhados na Mata Nacional do Buçaco, resultado da permanência dos Carmelitas Descalços no seu “Deserto”.
Revelando ainda zonas da floresta autóctone portuguesa, a Mata foi sendo tratada por sucessivas gerações de monges de modo a representar o Monte Carmelo como o local originário da Ordem. Atualmente ocupa cerca de 105 hectares e possui uma das melhores coleções de plantas lenhosas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos com exemplares notáveis, sendo uma das Matas Nacionais mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural de Portugal.
Ficam as fotos e um trilho único como convite a um passeio num local mágico que importa descobrir, disfrutar e preservar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Pelos Jardins até à Serra do Buçaco 28/07/2013

No dia 28 de Julho de 2013 iremos efetuar uma caminhada numa das matas portuguesas mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural.

A Mata Nacional do Buçaco é um bosque secular com árvores gigantescas, variadas, provenientes das longínquas terras de Missão, acarinhadas ao longo de cerca de 200 anos pelos carmelitas, que ali permaneceram até à extinção das ordens religiosas em 1834.

Classificado como imóvel de interesse público, o conjunto monumental do Buçaco mobiliza uma riqueza patrimonial de exceção. Ao núcleo central formado pelo Palace Hotel do Buçaco e pelo Convento de Santa Cruz juntam-se as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Bussaco, os cruzeiros, as fontes (saliente-se a Fonte Fria com a sua monumental escadaria) e as cisternas, os miradouros (o da Cruz Alta oferece vista privilegiada sobre toda a região entre Coimbra e a Serra do Caramulo) ou as casas florestais.

Para além de explorarmos os Jardins, seguiremos também até à Serra do Buçaco, em tempos também chamada Serra da Alcoba, onde são captadas as águas do Luso e das Caldas de Penacova.



A caminhada começará às 10:30 da manhã na Capela São João Evangelista, no centro do Luso, nas seguintes coordenadas: 40°23'2.77"N (latitude) e 8°22'34.98"W (longitude). O percurso apresenta um grau de dificuldade baixo, sendo no entanto recomendável que levem alimentos, água, impermeável, chapéu, protetor solar e calçado confortável.

Caso estejam interessados em participar enviem um e-mail de confirmação para evasãoverde@gmail.com.