No dia 2 de Setembro de 2011, no âmbito de um Estágio de Alpinismo no Monte Branco realizado pela loja Espaços Naturais, apanhamos um avião para Milão, seguindo posteriormente pelas estradas italianas até aos Alpes.
Utilizando o refúgio “Monte Bianco”, localizado nas imediações de Courmayeur, como base logística, realizamos várias visitas às altas montanhas que separam Itália e França, percorrendo os seus imensos glaciares e monumentais arestas, onde o branco predomina nas elevadas cotas do maciço alpino, numa paisagem inesperada e singular, que merece ser vivida devido à sua imensa beleza, sempre com um enorme sentido de responsabilidade, devido aos inúmeros riscos que esta encerra para os potenciais visitantes.
No decurso do estágio, aprendemos como explorar este “mundo dentro do nosso mundo”, onde os perfis de relevo esculpem-se em gelo e pedra. Fracturas imensas na água gelada, depressões monumentais em pendentes inclinadas, acompanharam-nos numa jornada que permitiu vivenciar quilómetros de extensão de paisagem.
Os montes irmãos dos Alpes suíços, franceses e italianos, encontravam-se reunidos no horizonte como gigantes colossais, guardiães dos vales mais abaixo, onde repousa a civilização: Chamonix em França, e Courmayeur em Itália, com o maciço montanhoso alpino no meio, assinalando a fronteira de dois países.
Depois de um período de aclimatação à altitude condicionado por condições climatéricas adversas, com o som grave das avalanches ecoando no vale do rio Veny oriundo das montanhas brancas que ladeavam o refúgio “Monte Bianco”, partimos no dia 8 de Setembro rumo ao refúgio “Cosmiques” em França, para iniciar uma rota de ascensão rumo ao cume do Monte Branco, localizado a 4808 metros de altura, através do itinerário dos “três montes”.
Abandonamos o “Cosmiques” às 2:20 da madrugada do dia 9 de Setembro, atravessando a área glaciar do “Col do Midi” na escuridão, iluminando o gelo com as nossas lanternas frontais. Na vertente norte do “Mont Blanc du Tacul” (4248 metros de altura) avistavam-se outros pontos de luz distantes na pendente inclinada da encosta, que seguiam em silêncio rumo a um destino previsível. Para além do nosso grupo, outros partilhavam o nosso objectivo, atravessando a noite fria, calcando trilhos gelados rumo às cotas superiores alpinas.
Depois de subirmos o “Mont Blanc du Tacul”, passando por uma rimaia silenciosa, com um buraco retorcido rasgado até às profundezas da montanha, iniciamos uma descida em direcção do colo que nos conduziu ao “Mont Maudit” (4465 metros de altura). As luzes dos outros viajantes surgiram novamente numa parede negra invisível, que anunciava várias horas de esforço rumo ao topo do monte que nos separava do Monte Branco.
Iniciamos uma ascensão demorada, que foi temporariamente suspensa no inicio de uma passagem que requeria a montagem de cordas para efectuar a escalada de uma parede de gelo com várias dezenas de metros para transpor uma alta aresta do Monte Maldito.
As horas passaram frias enquanto preparávamos o equipamento para iniciar a escalada, aguardando a altura certa para subir. As estrelas circularam pela cúpula celeste e a primeira luminescência do dia surgiu, revelando uma encosta vertiginosa, com as luzes amarelas de Chamonix a mais de 4000 metros abaixo. Com os pés congelados e um frio húmido nos ossos, suspensos no dorso vertical do Maldito, é fácil sentir o cansaço e a pequenez dos corpos humanos perante a vastidão da paisagem alpina, que se começava a revelar no horizonte, com os seus altos cumes rasgando as nuvens, coloridos em sucessões de azul que rapidamente ganhavam reflexos dourados nas derradeiras horas da madrugada.
Neste período nocturno não foram registadas fotos por motivos facilmente decifráveis.
O dia chegou, e iniciamos a subida final em escalada até ao topo do monte. Lá em cima, o Monte Branco aguardava-nos nas alturas, com um trilho rasgado no gelo rumo ao cume, que só foi alcançado passadas várias horas.
Passo a passo, numa caminhada entre gelos antigos, com as cumeadas brancas no horizonte afastamo-nos do Tacul e do Maldito, iniciando a ascensão final até aos 4808 metros de altura.
No cume do Monte Branco o horizonte revelou-se vasto e deslumbrante. Em pleno céu, olhando do ponto mais alto da Europa Ocidental, avistamos sucessões de cumeadas temperadas com nuvens mansas, num dia luminoso de final de Verão.
Depois do cume, regressamos ao Maldito, descendo em “rapel” pela via que umas horas antes tínhamos escalado, descobrindo uma paisagem luminosa que anteriormente tínhamos percorrido na escuridão.
Passamos novamente no Tacul, e espreitamos a rimaia agora iluminada pelo sol, seguindo até ao Cosmiques, terminando uma actividade com mais de dezassete horas ininterruptas de duração.
No dia seguinte, atravessamos o “Glaciar do Gigante” até ao teleférico que nos conduziu em segurança até Entréves, localidade adjacente a Courmayeur, assente no vale do Veny.
Deixamos o Monte Branco nas alturas e os restantes montes irmãos com as suas paisagens monumentais geladas, que inspiraram a imaginação de tantos escritores de histórias de fantasia, passíveis de ser verdadeiramente percorridas para além das páginas dos livros, num mundo real que aguarda visita.
Florestas, lagos, rios, montanhas, aldeias, castelos, templos, cidades e serras, encontram-se cruzadas por caminhos antigos que unem gentes e geografias numa rede global primordial. Levantemos os olhos para o céu e encurtemos as distâncias que nos separam da realidade natural, percorrendo os trilhos pedestres de um mundo rico em cultura e biodiversidade que vale a pena descobrir passo a passo...
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Tresmonte 27/08/2011
Numa paisagem cansada, sulcada pelos fogos do Verão e pelo frio do Inverno, ritmada pelo pulsar da vida que serenamente subsiste nos lameiros irrigados pelos cursos de água e nos bosques que perfumam as encostas, um Parque Natural de Montesinho sereno e dourado aguardava-nos com o percurso pedestre PR11.
De acordo com a informação disponibilizado pelo Parque, o “Tresmonte” desenvolve-se perto da aldeia de Gestosa, cruzando a ribeira do Covo, descendo ao rio Rabaçal, oferecendo uma panorâmica sobre o vale por onde passa este curso de água. É um percurso circular com aproximadamente 9168 metros, com altitudes que oscilam entre os 498 e os 770 metros.
A paisagem é marcada por quadros que vão desde os matos de giesta, urze e carqueja nos solos mais esqueléticos, ao mosaico agrícola na envolvente da povoação, passando pelas terras próprias das culturas de sequeiro, pelos soutos, vinhas e galerias ripícolas constituídas predominantemente por amieiros e freixos.
No decurso da caminhada, aproveitamos para efectuar registo do trilho em GPS, encontrando-se este agora disponível na WIKILOC, bastando clicar aqui para aceder ao percurso.
De acordo com a informação disponibilizado pelo Parque, o “Tresmonte” desenvolve-se perto da aldeia de Gestosa, cruzando a ribeira do Covo, descendo ao rio Rabaçal, oferecendo uma panorâmica sobre o vale por onde passa este curso de água. É um percurso circular com aproximadamente 9168 metros, com altitudes que oscilam entre os 498 e os 770 metros.
A paisagem é marcada por quadros que vão desde os matos de giesta, urze e carqueja nos solos mais esqueléticos, ao mosaico agrícola na envolvente da povoação, passando pelas terras próprias das culturas de sequeiro, pelos soutos, vinhas e galerias ripícolas constituídas predominantemente por amieiros e freixos.
No decurso da caminhada, aproveitamos para efectuar registo do trilho em GPS, encontrando-se este agora disponível na WIKILOC, bastando clicar aqui para aceder ao percurso.
À descoberta das Ilhas Cíes 22/08/2011
Contemplando a costa galega, algumas ilhas povoam um atlântico azul-turquesa, aguardando-nos com lendas de navios afundados, e barcos lançando redes aos inúmeros cardumes prateados que por ali passam, sobre o olhar atento das gaivotas.
Entre as ondas que separam o continente e as ilhas, cruzamos sete milhas náuticas para chegar às Cíes. As praias de areia branca, os pinheiros nas falésias perfumadas a mar e a plantas resinosas, transportam-nos para um espaço rico em avifauna, amplos horizontes, com reflexos de oceano, sempre presentes entre poças e enseadas com vistas para Vigo e para poente.
Com diversos restaurantes onde são servidos os habituais petiscos galegos, um parque de campismo sobre a sombra de pinheiros, e o resguardo de uma enseada onde se avista a linha azul do oceano, a ilha Cíes do Norte apresenta uma rede de caminhos que interligam praias, falésias, faróis, pequenos portos, dunas, bosques, postos de observação da avifauna, num contexto insular único, inundado pela luz do atlântico e pela melopeia sempre presente das marés.
Para chegar às Cíes existem várias empresas que asseguram o transporte diário de passageiros. Para obter informações sobre os horários dos barcos, e efectuar a reserva da estadia, convém consultar o site do Parque de Campismo das Ilhas Cíes.
Para aceder a um percurso pedestre que contempla os principais pontos de interesse da ilha Cíes do Norte clica aqui.
Entre as ondas que separam o continente e as ilhas, cruzamos sete milhas náuticas para chegar às Cíes. As praias de areia branca, os pinheiros nas falésias perfumadas a mar e a plantas resinosas, transportam-nos para um espaço rico em avifauna, amplos horizontes, com reflexos de oceano, sempre presentes entre poças e enseadas com vistas para Vigo e para poente.
Com diversos restaurantes onde são servidos os habituais petiscos galegos, um parque de campismo sobre a sombra de pinheiros, e o resguardo de uma enseada onde se avista a linha azul do oceano, a ilha Cíes do Norte apresenta uma rede de caminhos que interligam praias, falésias, faróis, pequenos portos, dunas, bosques, postos de observação da avifauna, num contexto insular único, inundado pela luz do atlântico e pela melopeia sempre presente das marés.
Para chegar às Cíes existem várias empresas que asseguram o transporte diário de passageiros. Para obter informações sobre os horários dos barcos, e efectuar a reserva da estadia, convém consultar o site do Parque de Campismo das Ilhas Cíes.
Para aceder a um percurso pedestre que contempla os principais pontos de interesse da ilha Cíes do Norte clica aqui.
Estágio de aperfeiçoamento ao Montanhismo nos Pirinéus | Fotos
Antes de partirmos à descoberta do Monte Branco, no âmbito da formação a efectuar pela loja Espaços Naturais, ficam registadas algumas fotos do Estágio de aperfeiçoamento ao montanhismo nos Pirinéus realizado entre os dias 14 e 21 de Agosto de 2011.
Para mais informações sobre esta actividade clica aqui.
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