quinta-feira, 10 de março de 2011

Lapa das Pombas 06/03/2011

Deixamos o montado verdejante, repleto de aromas e cores, e seguimos para a costa, onde as falésias nos aguardavam. Depois de percorrermos o PR3 seguimos directamente para o PR1, iniciando o trilho a cerca de duas horas do por do sol.

Esta resolução ao final do dia teve algumas vantagens e algumas desvantagens. A principal vantagem resulta das fotos maravilhosas que se conseguiram obter antes do por do sol, com uma intensidade de cores surpreendente. A principal desvantagem foi não se ter conseguido obter fotos depois do por do sol, especialmente quando percorremos a borda do Atlântico sobre pedras e poças que permitiram efectuar uma lavagem completa da lama do PR3.

Com aproximadamente 8,9 km, o PR1 inicia-se no centro da aldeia de Almograve, e apresenta “oportunidades de melhoria significativas” no que diz respeito à sinalização. Essas “irregularidades” originaram a que por vezes nos afastássemos do trilho oficial, e perdêssemos alguns dos preciosos raios de sol que precisávamos para efectuar toda a caminhada antes da chegada da noite, conforme mandam as “boas práticas”.

O trilho foi efectuado no sentido contrário aos ponteiros do relógio, partindo da estrada em asfalto que nos trouxe a Almograve. Depois de alguns metros de estrada, surgiu um estradão de terra que conduziu-nos para uma larga área de pastoreio, que ao final de algum tempo converteu-se em duna, permitindo-nos alcançar as bordas das falésias que esculpem a Costa Vicentina.

Seguimos pelo alto das falésias, deslumbrados pela paisagem, até alcançarmos o riacho que atravessa a Praia da Foz do Ouriços. Depois de molhar os pés na travessia, seguimos para a base das falésias, percebendo mais tarde que o trilho oficial deveria seguir pelo topo das mesmas, e não pelas suas fundações, junto ao mar.

Depois de uma travessia “ousada” pelas pedras que sustentam o mergulho íngreme das falésias no oceano, chegamos à Praia principal de Almograve, onde pudemos finalmente subir em segurança através de uma escada instalada na rocha, e encontrar o passadiço em madeira do caminho oficial.

O troço final do trilho (o acesso à Lapa das Pombas), só foi realizado no dia seguinte, devido à hora tardia a que foi concluída a parte circular do PR1. Infelizmente, o dia 7 de Março acordou tempestuoso, e manteve-se assim durante toda a tarde. A chuva intensa impediu que se dispensasse o tempo necessário para obter fotos dignas do troço que liga Almograve ao porto de abrigo da Lapa das Pombas.

No entanto, ficaram registadas algumas imagens, que, apesar do “lusco-fusco” (do dia 6) e da tempestade (do dia 7), conseguem esboçar uma parte ínfima da grandiosidade das arribas da Costa Vicentina.

Para mais informações sobre o trilho clique aqui. Para obter o trilho em formato GPX ou KML, envie uma solicitação para evasaoverde@gmail.com.

Troviscais 06/03/2011

Com cerca de 13,6 km, o PR3 de Odemira começou no centro da aldeia de Troviscais, no largo do café, seguindo depois por um estradão através de montes verdejantes, vigiados por gado calmo que repousava na paisagem.

O caminho serpenteou por um eucaliptal, e lançou-se numa paisagem ampla, no lugar de Pampilhais. Ao fim de alguns minutos, a ribeira do Torgal surgiu ao longe rodeada de vacas que pastavam serenamente na margem esquerda.

Algumas nuvens passeavam lentamente no céu, enquanto percorríamos a margem direita da ribeira (até ao ponto de encontro com o Rio Mira) rodeados por aluviões e zonas de sapal, que por vezes originaram uns “enterranços” valentes na lama até ao tornozelo. Neste troço percebemos porque é que a altura recomendada para realizar o trilho encontra-se compreendida entre a Primavera e o Verão.

A dada altura surgiu um cenário excelente para os amantes do “Bird Watching”: o caminho desenvolveu-se no topo de uma represa natural, como uma ponte suspensa entre dois espelhos de água, revelando o habitat natural das garças, das cegonhas, dos guarda-rios e das galinhas de água que por ali habitam.

Depois de contornar parte do espelho de água o caminho conduziu-nos pela encosta, onde foi possível observar o serpentear do Rio Mira entre os montes, e os barcos de pescadores calmamente repousados na sua superfície.

Despedimo-nos do Mira, e seguimos por entre um bosque até uma área alagada, onde fomos novamente surpreendidos pela exuberância da avifauna… e por uma longa subida até ao centro da aldeia de Troviscais, temperada pelos aromas da lavanda e do alecrim, que se desprendiam da vegetação florida anunciando a chegada da Primavera.

Para mais informações sobre o trilho clique aqui. Para obter o trilho em formato GPX ou KML, envie uma solicitação para evasaoverde@gmail.com.

São Domingos 05/03/2011

Desta vez as evasões foram até ao coração do “Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina” para conhecer os três percursos pedestres de Odemira. O primeiro a ser realizado foi o PR2, denominado de “São Domingos”.

Com uma extensão de aproximadamente 8,1 km em caminhos de asfalto e terra batida, o percurso principiou no centro da aldeia de São Luís, e conduziu-nos desde os campos agrícolas que ladeiam o povoado, até aos bosques de eucaliptos que sobem aos 381 metros de altitude do Cerro de São Domingos.

Aqui, na varanda de um farol abandonado, a Costa Vicentina começa a revelar a sua natureza: o azul do mar e o verde do montado prolongam-se na distância, numa terra de sol, que entre as nuvens aparece jovial, para despertar a vegetação que começa a florir.

Do alto foi possível desfrutar uma paisagem magnífica sobre a serra de Monchique, Milfontes, Porto Covo, Sines e acompanhar o serpentear do rio Mira até à foz.

Deixando o alto do Cerro, descemos para o trilho principal, percorrendo suaves cumeadas em zonas de bosque, onde é fácil ser surpreendido por lebres e excelentes panorâmicas sobre o Mira.

Uma descida acentuada conduziu-nos subitamente através de um corta-fogo para uma planície verdejante, ladeada por sobreiros e pintalgada com os amarelos, brancos e vermelhos das flores silvestres que perfumavam o ar.

No final da planície surgiu um caminho por entre um bosque, que conduziu-nos até ao lavadouro público de São Luís, onde as casas térreas e brancas, vigiadas pelo campanário da igreja, aguardavam-nos ao final de uma tarde serena e luminosa no sudoeste alentejano.

Para mais informações sobre o trilho clique aqui. Para obter o trilho em formato GPX ou KML, envie uma solicitação para evasaoverde@gmail.com.

terça-feira, 1 de março de 2011

Rota da Citânia | Fotos

Um trilho que poderia ser realizado facilmente em menos de três horas durou aproximadamente o dobro. As razões para tal atraso foram várias e extraordinariamente válidas, especialmente o argumento de um fabuloso dia de sol, anunciando o final do Inverno, em montes minhotos que começam a florir.

Para começar, o Museu da Cultura Castreja alojado no Solar da Ponte, em São Salvador de Briteiros (logo no inicio do trilho), surpreendeu-nos à chegada, com amostras da pesquisa arqueológica realizada em 1877 por Martins Sarmento na Citânia de Briteiros.

Após vislumbrarmos alguns “despojos arqueológicos” das memórias milenares de uma civilização perdida na vertigem do tempo, partimos para o Monte de São Romão, sítio arqueológico onde se encontra localizada a Citânia.

O caminho conduziu-nos por um bosque composto por castanheiros e carvalhos, alternado com eucaliptos e pinheiros, que crescem na margem do Rio Febras. Não foi preciso andar muito para começarem a surgir pequenas cascatas, ladeadas por velhos moinhos construídos sobre o granito, que revelam o quadro agrícola das práticas de uma terra onde as plantas serviram de alimento e matéria-prima para o vestuário e habitação das gentes de outros tempos.

O arvoredo relativamente complexo, envolvido pelos tons intensos dos líquenes, dos musgos e dos fetos, fez-se acompanhar pelo borbulhar do Febras até ao cruzamento que nos afastou temporariamente do trilho para conhecermos a cascata mágica de Portuguediz (local que vale a pena visitar, por diversos motivos que não serão aqui divulgados), e as grandes pedras graníticas irmãs designadas por “Bolos”, vizinhas de um moinho antigo repleto de mistérios (que também não serão aqui expostos).

Depois de regressarmos ao troço principal do trilho, e caminharmos mais algumas centenas de metros, a vegetação densa transformou-se com a chegada às cumeadas. As urzes, os tojos e as giestas, pintaram o caminho até ao Monte de São Romão com as suas flores amarelas. As muralhas graníticas aguardavam-nos.

Dizem os investigadores que as muralhas da Citânia revelam um “estado de guerra endémico”. Para outros “as muralhas tinham um fim meramente simbólico para evidenciar poder”. O que é certo, é que percorrer a Citânia permite efectuar uma viagem no tempo de 2000 anos até a um período que antecede a chegada dos romanos à península.

A Casa do Conselho, local onde os chefes das principais linhagens da Citânia reuniam-se para conversar sobre os assuntos importantes do povoado, revelou-se um óptimo local para uma boa sesta, com o vale do Ave como cenário, recordando a rota fluvial por onde chegavam os barcos com sal e mercadorias oriundas do litoral e do longínquo Mediterrâneo.

Depois de calcorrearmos os arruamentos da Acrópole, voltamos ao trilho que nos conduziu por bosques de eucaliptos claramente maltratados pelos desportos radicais motorizados e pelos resíduos de uma civilização “pouco civilizada”.

As áreas rurais, banhadas pelo por do sol, e os caminhos empedrados do antigamente, fizeram-nos esquecer algumas “lástimas ambientais”, conduzindo-nos através de quintas e quintais até São Salvador de Briteiros, onde o Solar da Ponte aguardava, para receber-nos mais uma vez, agora com tons laranja de final de dia, no ultimo quadro de um trilho que vale a pena conhecer.


Foto 1: Bosque misto na margem esquerda do rio Febras.



Foto 2: Cascata no rio Febras a caminho de Portuguediz.



Foto 3: Portuguediz e o seu curso de água que desliza sobre as costas de um penedo de granito: difícil de descrever, difícil de fotografar.



Foto 4: Atravessando Portuguediz.



Foto 5: O vale do Ave, observado do Monte de São Romão: as torres das igrejas e os campos agrícolas destacam-se num horizonte mais próximo, servindo de fronteira a um urbanismo intenso, que se encontra diluído ao longe na paisagem.



Foto 6: A Citânia.



Foto 7: A Casa do Conselho.



Foto 8: O grupo dos “Trekkers” que participaram nesta evasão, num penedo adjacente à Casa do Conselho.



Foto 9: A Casa do Conselho observada de outro ângulo.



Foto 10: A Citânia observada de outro ângulo.



Foto 11: Regresso a São Salvador de Briteiros.



Foto 12: O Solar da Ponte: “a casa” do Museu da Cultura Castreja.