sábado, 7 de abril de 2012

Rota do Baleal 07/04/2012

O Baleal ainda é uma aldeia-paraíso, resistindo às desgraças urbanísticas originadas do outro lado da língua de areia que lhe dá acesso na baixa-mar. O areal cresce para norte até à Foz do Arelho e para sul até Peniche de Cima. No meio situa-se a «ilha-península» do Baleal, à sua frente a ilha das Pombas, depois o ilhéu de Fora e o Atlântico.

A praia do Baleal é considerada uma das mais belas do litoral estremenho, de acesso a seco na maré vazia e a vau ou de barco quando as águas já não permitem a passagem. Acordamos mais cedo e, com a maré vazia percorremos toda a extensão do areal, regressando pelo topo das falésias, já com o oceano erguendo-se para uma intensa praia mar, fustigando a base das arribas.

Circular a Peniche 06/04/2012

Se recuássemos no tempo para além do século XV, em vez de uma península onde fica Peniche e o Cabo Carvoeiro, antes encontraríamos uma ilha separada da costa, e num recorte mais profundo desta última, com feição portuária, a povoação de Autouguia da Baleia.

Mas as areais que se foram juntando entre essa ilha e a terra próxima e o entulhamento progressivo do pequeno porto vizinho e do rio que lhe dava origem foram a pouco e pouco transformando a geografia e a paisagem, a caminho do que hoje por ali se encontra: em vez da ilha, uma península; em vez de um porto interior, o fértil e amplo vale de Ferrel, transformando aquele porto numa povoação interior, embora sempre próxima do litoral.

Ao longe, a uma escassa dúzia de quilómetros, já no Atlântico, surgem as Berlengas e os Farilhões, pequenas ilhas e rochedos desligados do litoral num viver de exilio, habitados em tempos por frades expulsos pela pirataria argelina, pela guarnição do Forte de São João Baptista e hoje pelos faroleiros e raros pescadores.

No dia 6 de Abril, num percurso de aproximadamente 12 quilómetros, visitamos uma terra de pescadores e surfistas, vigiada pelo cântico sempre presente das aves marinhas, que pairam sobre as falésias, suspensas entre o céu e o oceano.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

À descoberta de Peniche 6-7/04/2012

Nos dias 6 e 7 de Abril de 2012 partiremos à descoberta de Peniche, para efectuar dois trilhos de acordo com o agendamento a seguir apresentado.


Data: 6 de Abril de 2012
Hora local: 11:00
Coordenadas do ponto de partida: 39°21'16.43"N / 9°22'49.91"W
Trilho: Circular a Peniche

Data: 7 de Abril de 2012
Hora local: 09:00
Coordenadas do ponto de partida: 39°22'25.60"N / 9°20'28.35"W
Trilho: Rota do Baleal

Os percursos apresentam um grau de dificuldade baixo, sendo recomendados para iniciantes ao “trekking”. Caso estejam interessados em participar enviem um e-mail de confirmação para evasãoverde@gmail.com.

Pedras, Moinhos e Aromas de Santiago | Fotos

O percurso decorreu numa zona de montanha, a Serra da Aboboreira, de elevado valor cultural e natural, preservada do progresso urbanístico, por séculos de isolamento geográfico e pela subsequente desertificação humana. Aqui as gentes, ancestralmente adaptadas a esse ambiente e vivendo em tradicionais casas graníticas de arquitectura vernácula, ainda cultivam a leira à força braçal e animal.

Tal ambiente, calmo e pouco povoado, propicia a existência de nichos ecológicos para variadíssimas espécies da fauna e flora de grande valor natural, que aí encontram refúgio. Pelo caminho percorremos bosques de carvalho, campos de cultivo sobranceiros às aldeias e zonas de vegetação arbustiva.

Salpicando a paisagem podemos observar majestosas fragas com formas finamente arredondadas, lembrando silenciosos guardiões da serra. Umas vezes são usadas como apoio amigo que protege das intempéries, pelo que ancestralmente a gente partilhava com elas o seu lar ao construir as suas casas a elas encostadas. Outras vezes, estes geomonumentos, pela desproporção e “equilíbrio ameaçador” em que se encontram, inclinadas sobre as habitações, parecem querer recordar ao Homem a sua pequenez e o quanto a sua existência está nas mãos do destino.

As construções de pendor religioso salpicam a paisagem, como é o caso das capelas de São Clemente, São Tiago, São Brás e São Bento do Pinhão.

Durante o trajecto percorremos caminhos antigos de ladeados de muros de pedra, muitas vezes escavados na rocha-mãe, por sua vez sulcados pelos rodados dos carros de bois, testemunhas do tempo em que a necessidade obrigava a tirar o sustento de terras pobres e declivosas.

Fica o registo fotográfico de um trilho simples, bem sinalizado, rico em paisagens diversificadas e em recantos rurais de elevada beleza, acessíveis a todos aqueles que gostam de caminhar.