domingo, 9 de julho de 2017

A rota do Cabo da Roca - 8 de Julho de 2017

Existem locais onde o mundo acaba. Finisterras onde o caminho termina abruptamente nas falésias, que se erguem como Adamastores no oceano, numa luta eterna entre os elementos na busca de um equilíbrio inatingível. A espuma das ondas que fustigam as rochas escarpadas, o vento cortante que anima o oceano e esculpe a terra, surgem num quadro épico suavizado pelas brumas de um nevoeiro sempre presente - inspiração de poetas marinheiros, inimigo de caravelas errantes - num vértice abismal que assinala o fim de um velho continente. 

Aqui, onde termina a terra e o mar começa, encontramos o perfil de um antigo farol que contempla o horizonte. Guardião daqueles que cruzam oceanos escuros e revoltos, é ele o responsável por afastar as trevas nas noites de tempestade, guiando as gentes do mar a bom porto. Foi nele que iniciamos e acabamos o PR7 de Sintra, acompanhando-nos com a sua presença intermitente no horizonte, assinalando o inicio e o fim do caminho… o inicio e o fim da europa.
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Este percurso circular de 10 km inicia-se no Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da europa continental, e prossegue ao longo de falésias, campos agrícolas e pinhais sobre dunas. Depois de passar pelas localidades mais interiores de Ulgueira e Almoçageme, continua novamente em direção ao litoral, agora até à Praia Grande, onde podem ser observadas pegadas de dinossauros e daqui até à vizinha Praia da Adraga, junto às falésias que servem de abrigo ou de local de nidificação a diversas espécies de aves.

 

Após a caminhada fica a memória de um percurso de uma riqueza paisagística e natural surpreendente, próximo de Lisboa, acessível a todos aqueles que gostam de caminhar. Agora, findo o caminho, deixamos o guardião dos mares a assinalar o fim do mundo, esperando pela visita de outros viajantes que ousarem explorar o Promontorium Magnum dos Romanos, situado no extremo oeste da parte emersa da serra de Sintra.

terça-feira, 27 de junho de 2017

À descoberta de um Gerês secreto - 24 de junho de 2017

Existem locais secretos. Espaços para lá da imaginação, onde a natureza perdura intemporal longe dos olhares do mundo, onde o vento e a água esculpem a terra sob a luz do sol e das estrelas. Existem caminhos que nos conduzem a esses locais secretos. Caminhos improváveis entre florestas de árvores antigas que ascendem aos céus nas costas de gigantes colossais, esculpidos em granito de um magma primordial que gelou em invernos glaciares, floresceu nas primaveras húmidas e ganhou identidade no calor dos dias, que revelam o circulo infinito de montanhas, vales e horizontes que subsistem desde o inicio dos tempos e perduram, para sempre… até ao fim.
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No dia 24 de junho de 2017 partimos do Parque de Campismo da Ermida às 6:30 da manhã para efetuar uma rota de 25 quilómetros através de um Gerês profundo que merece ser descoberto. O percurso incluiu a passagem nalguns dos sítios mais emblemáticos do Parque Natural, começando na Aldeia da Ermida, seguindo até à Cascata do Arado, passando pelos Prados Teixeira, subindo ao Alto do Barrageiro, descendo aos Prados do Conho, ascendendo ao Maciço Rochoso da Rocalva, descendo à Malhadoura, para seguir de regresso à Cascata do Arado e à Aldeia da Ermida.

O Alto do Barrageiro foi um dos pontos mais emblemáticos da nossa jornada. Sendo uma montanha com 1.430 metros é um desafio para qualquer montanhista amador, visto que só é possível aceder a ele através de um percurso pedestre desconhecido para a grande parte dos caminhantes. Mas o esforço compensa. Lá em cima a vista é algo de inesquecível, sem dúvida um dos melhores miradouros naturais do Gerês. Dali, o nosso olhar perde-se pelo vale do Cávado, as serras da Cabreira, de Fafe Basto, Amarela, do Soajo, da Peneda, do Larouco, do Facho, do Barroso. Em dias de boa visibilidade é possível avistar a Serra do Marão, localizada a uns bons 60 quilómetros de distância.

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Após uma rota única num Portugal profundo, fica o desejo de continuar esse caminho infinito, que espera por aqueles que sem medo se lançam intrépidos à aventura. Após mais uma Evasão que nos liga ao que mais de místico a Terra tem para oferecer - o sopro da vida nas pedras duras, a brisa suave que se desprende de um céu infinito, a vastidão das montanhas que tomam a forma dos sonhos - fica uma certeza: não existem segredos completamente inacessíveis, não existem locais suficiente altos, não existem vales demasiadamente profundos, nem cursos de água absolutamente intransponíveis.

Existe sim, uma natureza deslumbrante que merece a nossa visita. Levantemos os olhos para o céu e encurtemos as distâncias que nos separam do infinito, percorrendo os trilhos de um mundo rico em cultura e biodiversidade que vale a pena descobrir passo a passo.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Por montes e vales de Arouca - GR28 | Fotos

Algures entre o Douro e o Vouga, contemplando Aveiro e o Atlântico, o Maciço da Gralheira encerra uma Grande Rota que percorre as montanhas graníticas da Serra da Freita e da Arada, assim como os vales do Paivó e do Paiva, sobre o olhar atento da Serra do Arestal e de São Macário. O seu itinerário, com cerca de 90 quilómetros, viaja por um território de rara beleza, ligando um grande número de espaços naturais monumentais, que incluem aldeias de montanha, vales e cumeadas de onde se desfrutam extraordinárias paisagens, que por vezes cruzam o azul do oceano.

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Num dia 5 de maio chuvoso, iniciamos a Grande Rota na pitoresca aldeia de Candal, nas imediações da Igreja matriz, seguindo pelo caminho que desce para Covêlo de Paivô. Entre gotículas de chuva, cheiro intenso a terra molhada, e tons fluorescentes de verde, subimos para as antigas minas do Muro, de onde rumamos para Silveiras. Em Silveiras, junto à Capela, iniciamos a descida para Cortegaça e dali para Meitriz. Atravessamos o Paiva na ponte para Além-do-Barco, num local onde o rio e a vegetação se fundem numa tela a cores pastel, acentuadas pelas nuvens rápidas que, entretanto, foram deixando o sol entrar. A GR28 continua agora sozinha deixando o Paiva para trás, passa no Sobral encaminhando-se, em seguida, para o lugar da Fonte Tinta e depois para Vilar de Servos. Antes de aqui chegar o Maciço da Gralheira revela-se em todo o seu esplendor com espetaculares panorâmicas sobre os meandros do Paiva, o esporão de Louredo e sobre Janarde. Depois de Vilar de Servos seguimos por uma antiga estrada florestal até Casais e Quintela por onde se entra em Alvarenga, terminado a nossa 1ª etapa na Hospedaria Silva, local da nossa pernoita e do famoso bife de Alvarenga.

No dia 6 de maio seguimos para a Vila por caminhos tradicionais, seguindo em direção ao lugar de Lourido de onde, por caminhos antigos e florestais, descemos até aos passadiços do Paiva, local onde efetuamos a travessia do rio. Seguimos para o Centro de Interpretação Geológica de Canelas, e para Gamarão de Cima, rumando de seguida para a Senhora da Mó, iniciando aqui a descida para a Vila de Arouca. Iniciamos a subida até à capela de Santa Maria do Monte, local escolhido para término da segunda etapa, telefonando ao Sr. Brandão para nos levar para a Casa de Campo da Quinta da Guerra em Nogueiró. O Sr. Brandão (proprietário da quinta) sempre muito prestável ofereceu-se para nos levar ao restaurante para jantar e ainda nos foi buscar no final.

No dia 7 de maio bem cedo, o Sr. Brandão levou-nos até à capela de Santa Maria do Monte onde retomamos a Grande Rota, subindo para a Portelada, seguindo até Souto Redondo e Póvoa Reguenga. Da Póvoa seguimos para Merujal, atingindo a cumeada e a via romana que liga Viseu à Invicta. Rumando para leste, seguimos aquela via até Parque de Campismo do Merujal. Daqui continuamos até Albergaria da Serra, calcorreando a antiga via romana até à Portela da Anta. Um pouco à frente abandonamos a via romana e subimos até ao Vidoeiro. Após passar as ruínas da antiga casa florestal, iniciamos a descida para Tebilhão até Cabreiros e daqui até Candal onde terminamos a Grande Rota 28.

A Grande Rota surpreendeu pela positiva, com as suas amplas paisagens até perder de vista, os recantos mágicos que os cursos de água albergam, repletos de vida e luz que se desprende da vegetação ribeirinha. As vilas e aldeias, com chaminés fumegantes e petiscos tradicionais, onde gentes de sorriso franco sabem acolher com generosidade, deixaram uma vontade de voltar, e um misto de saudade e nostalgia. Agora, com as montanhas lá longe, e com o vento e as estrelas a guiarem os lobos que contemplam o Atlântico, numa terra de lendas e sonhos, traçam-se novos caminhos que partem para outros Mundos. A Grande Rota continua.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Por montes e vales de Arouca - GR28 - 5 a 7 de maio de 2017

Nos dias 5, 6 e 7 de maio vamos percorrer a Grande Rota do Arouca Geopark. Em 3 dias cruzaremos o vale de Arouca, as serras da Freita e Arada e os vales dos rios Paivô e Paiva. Ao longo de cerca de 90 quilómetros, que ligam um grande número de geossítios, as extraordinárias paisagens, as aldeias de montanha, os cursos de água, tudo surgirá de forma surpreendente.
Clicar para aceder a video de apresentação do Arouca Geopark
O percurso será realizado através das seguintes etapas: Etapa 1 (5 de maio, sexta-feira): Candal - Alvarenga (31,8 km); Etapa 2 (6 de maio, sábado): Alvarenga - Santa Maria do Monte (27,5 km); e Etapa 3 (7 de maio, domingo): Santa Maria do Monte - Candal (23,9 km).


O percurso apresenta um grau de dificuldade médio, sendo recomendável que levem comida, água, impermeável, luvas, gorro, lanterna (de preferência frontal) e calçado confortável.

Conforme habitual, agradecemos confirmação da participação p/ evasaoverde@gmail.com, p/ que possam receber mais detalhes sobre o percurso, assim como informação sobre o alojamento em Alvarenga (sexta p/ sábado) e em Santa Maria do Monte (sábado p/ domingo).

Rota de Conímbriga | Fotos

Desta vez fomos visitar um antigo povoado, desde tempos pré-históricos, o sítio de Conímbriga, ocupado pelas tropas romanas em 139 a. C., tornando-se então uma prospera cidade da Lusitânia.

Percorremos a Casa dos Repuxos e o belo jardim central, que preserva a estrutura hidráulica original com mais de quinhentos repuxos, rodeado por um magnífico conjunto de mosaicos figurativos com cenas de caça, passagens mitológicas, as estações do ano, monstros, aves e animais marinhos. Subimos as bancadas e os túneis do anfiteatro, percorremos as três termas espalhadas pela urbe, e ao pisar os mosaicos do fórum imaginámo-nos no centro político desta florescente cidade de outros tempos.

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Após uma visita ao centro urbano de Conímbriga, seguimos pelos montes que rodeiam a antiga cidade romana, efectuando o PR1 de Condeixa, a Rota de Conímbriga. Com início em Conímbriga, o percurso dirige-se para o Vale do Rio dos Mouros, atravessando a ponte e dirigindo-se através de um caminho de terra batida que acompanha o canhão do Rio dos Mouros para a Aldeia do Poço das Casas. Ao chegar a aldeia, o percurso toma o caminho de regresso a Conímbriga. Aqui optamos por efectuar o regresso, através de uma variante do percurso que entra na Mata da Alfarda através de um monte próximo do lugar do Poço, subindo através de um caminho íngreme até ao cume, que nos presenteou com amplas vistas para Condeixa, seguindo posteriormente de regresso a Conímbriga. A partir daqui, tomamos a direcção de Alcabideque, uma das exsurgências permanentes mais importantes de todo o Maciço Calcário de Sicó. Da nascente o percurso continua entre o casario e uma vasta área de campos agrícolas até chegar a Condeixa-a-Nova, seguindo para Condeixa-a-Velha, regressando novamente a Conímbriga. 

No final de um dia bem passado, deixamos Conímbriga ao entardecer. As pedras sabiamente trabalhadas, que contam a história de um mundo antigo que persiste, ficam agora sobre o vento quente e perfumado de uma primavera que lembra outras primaveras da história do mundo, aguardando visita de todos aqueles que desejam mergulhar no tempo, até um passado que aqui parece tão próximo, e ao mesmo tempo tão distante.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Rota de Conímbriga 01/04/2017

No dia 1 de abril partiremos rumo às ruínas de Conímbriga, outrora a próspera cidade da província da Lusitânia, para efetuar um percurso pedestre nas imediações daquela que foi a maior cidade romana de Portugal fundada 138 anos antes de Cristo.

A atividade terá início às 10:00 com uma visita de aproximadamente 1 hora ao Museu Monográfico de Conímbriga, assim como às ruínas da antiga cidade. Nas ruínas poderemos observar uma série de casas, jardins e mosaicos policromos, para além da grande muralha, os restos do seu Fórum, e aquilo que ficou das suas termas.


Após a visita, por volta das 11:30 iniciaremos o Percurso Pedestre PR1 CND Rota de Conímbriga, que começa no Complexo das Ruínas de Conímbriga e apresenta cerca de 16 km de extensão, que se divide em duas secções distintas. Começaremos por efetuar os 8 km circulares que constituem a primeira parte da caminhada, virada a sudeste, percorrendo o vale do Rio de Mouros, a aldeia de Poço das Casas e a Mata da Alfarda, importante habitat de numerosas espécies mediterrânicas, terminando novamente nas Ruínas.

Quem desejar, poderá optar por efetuar também a segunda parte do percurso, que se estende por mais 8 km circulares a nordeste de Conímbriga, dirigindo-se de encontro ao Castellum de Alcabideque e outros vestígios do Aqueduto Romano de Conímbriga, continuando depois pelos campos de cultivo até Condeixa-a-Nova e passando por Condeixa-a-Velha para logo a seguir reencontrar as Ruínas de Conímbriga. Aqueles que preferirem não efetuar a segunda parte do percurso, poderão efetuar uma visita mais demorada ao Complexo das Ruínas de Conímbriga.



O ponto de encontro será na entrada do Museu Monográfico de Conímbriga às 10:00 da manhã de sábado, dia 1 de abril de 2017, nas seguintes coordenadas: 40° 5'55.33"N e 8°29'24.87"W. O percurso apresenta um grau de dificuldade baixo, sendo no entanto recomendável que levem comida, água, impermeável, chapéu, protetor solar e calçado confortável. O bilhete de acesso ao Complexo das Ruínas de Conímbriga têm um custo de 4,5 €, sendo a restante organização da actividade gratuita, conforme habitual. 

Caso estejam interessados em participar enviem um e-mail de confirmação para evasãoverde@gmail.com.

sábado, 22 de agosto de 2015

Crónicas de Sol e Gelo: de Granada ao Mulhacén

Desta vez viajamos até à Andaluzia, região de Espanha que oferece dramáticos cenários de mar e montanha, templos e palácios, com Granada e o Alhambra situados aos pés da Serra Nevada, suspensos entre guitarradas de um saudoso lamento de flamenco que evoca crónicas de sol e gelo, no último reduto Muçulmano da Ibéria.

Na extensa e fértil planície do rio Genil encontramos os 3.481 metros do monte Mulhacén, o pico mais alto da Península, que deve o seu nome a Mulei Abul Hassan, conhecido pelos Castelhanos como Mulhacén, o antepenúltimo rei mouro de Granada que, de acordo com a lenda, está sepultado no topo, «entre a neve eterna onde reina o silêncio».


No dia 11 de Agosto de 2015 partimos caminhando de Hoya del Portillo, subimos até ao Refugio Poqueira, excelente ponto de ataque aos vários cumes da Serra Nevada. No dia seguinte, iniciamos a subida ao Mulhacén pela face Ocidental, subindo em direção a Norte pelo rio Mulhacén, passando a Laguna del Majano e a Laguna de la Caldereta. Chegados próximos da aresta, iniciamos a abordagem ao cume em direção a Este, até ao vértice topográfico da Península Ibérica, que, em dias de maior luminosidade, permite avistar o Mediterrâneo e o recorte da costa Africana.


Efetuamos a descida pela face Sul, utilizando os percursos documentados no site do Refúgio Poqueira, que ofereceu-nos abrigo, informação, boa gastronomia, sendo, de acordo com os montanhistas que encontramos, um dos melhores e mais hospitaleiros da alta montanha em Espanha.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

À descoberta da Ilha de Arousa 24/08/2013

A Galiza continua repleta de mistérios e paisagens sublimes que surpreendem em cada recorte, em cada escarpa, em cada porto, em cada praia. Entre a costa oeste da província da Corunha e toda a costa da província de Pontevedra, desde o Cabo Finisterra até à fronteira portuguesa, as Rias Baixas apresentam uma boa amostra do que a Galiza têm de melhor para oferecer a todos aqueles que têm alergia ao sofá.
Alojada numa reentrância das Rias Baixas, unida por uma ponte de 2 quilómetros ao continente, a Ilha de Arousa alberga uma comunidade de pescadores que fazem do mar a fonte do seu sustento, e acolhem com hospitalidade qualquer ocasional visitante. Porque por vezes as palavras são escassas, ficam as do Torrada e Meia de Leite.
«Entre braços de terra e num colo de águas oceânicas encontrámos esta ilha galega. Do seu recorte nascem ambientes singulares e da sua Natureza assimilam-se odores, cores e sons tranquilizadores. A Ilha de Arousa casa com sabedoria o ser agitado e fresco do Atlântico com a familiaridade e brandura do continente. Se fugirmos do lado mais concorrido para guarda-sóis e toalhas, defronte aos montes galegos e nos embrenharmos nos trilhos ladeados por pinheiral, rumo a oeste, deparamo-nos com o lado mais sedutor da pequena ilha.
Aqui sujeitamo-nos mais ao temperamento e humores do oceano, inspirada pela calma das pequenas enseadas e pelas ofertas que as águas deixaram nas areias. De permeio, um ambiente distinto, o dos pinheiros altos e escultóricos, chão de caruma e pinhas abandonadas, dunas suaves e odor resinoso. Aqui e acolá sobreiros de pequeno porte acrescentam singularidade a este lugar.
Seguem-me os passos as aves que por ali se fixam ou descansam de outros voos, inspiro a essência de mar e de pinho, das algas naufragadas e das diversas plantas que atapetam o terreno. Os pequenos areais, com milhões de conchinhas brancas esmagadas pela erosão, convidam-me e não resisto a caminhar sobre eles. Ao largo, pequenas embarcações vão passando e adivinha-se a sua preciosa carga: peixe, marisco e bivalves. A tarde vai já no fim, as cañas mataram a sede e os pratos de mexilhões revelam o vazio das conchas negras amontoadas.»



Fica o registo fotográfico de um trilho circular em volta da Ilha, que permite desvendar o íntimo deste local singular, acessível a todos aqueles que gostam de caminhar...



... e como a Galiza é Celta, não se surpreendam se encontrarem um qualquer Festival da Amêijoa Roxa no meio do percurso, com um qualquer grupo de excelente qualidade a tocar num recinto onde se come tortilha, marisco, e se bebe um bom Alvarinho. Conta a lenda que as primeiros rebentos de Alvarinho chegaram à foz do rio Umia por mar, trazidos por monges na sua peregrinação a Santiago de Compostela.

Enfim, curiosidades do Caminho!

domingo, 18 de agosto de 2013

O Caminho do Norte: de Ribadeo a Finisterra | Fotos

Para a maioria dos Peregrinos Santiago é o destino final, não colocando sequer a hipótese de seguir até Finisterra e Muxia. No entanto, o caminho para a Costa da Morte oferece uma ocasião excecional para ver a Galiza em todo o seu esplendor.
Apesar de supostamente o corpo do apóstolo Tiago repousar em Compostela, a rota das estrelas continua inundada pelo espírito do caminho até ao “Fim da Terra”.
Embora haja muita informação sobre o Caminho de Santiago, a rota até Finisterra não está tão bem documentada. De acordo com John Bierley no livro “Caminho Finisterre A Practical & Mystical Manual for the modern day Pilgrim” «seria perdoável pensar que existe uma conspiração, dissuadindo os peregrinos de viajar até ao fim do mundo, e ao fim do caminho».
Talvez seja a conexão de Finisterra com o seu passado pagão. O Sol ao despontar sobre o Monte Pindo, elevando-se a este, inundava de luz a porta de entrada na Ermida de São Guilherme, no entanto, no ocaso, o por do Sol ocorreria na “Terra da Juventude Eterna”, Tir-na-nóg, no horizonte a oeste, vigiado pelo altar pagão ao Sol de Ara Solis. O misterioso Cabo Finisterra marcava a fronteira entre um ponto de referência cristão a este, e uma orientação pagã a oeste.
De acordo com John Bierley, na Idade Média o foco de espiritualidade dentro de Espanha restringiu-se a Santiago de Compostela, enquanto para o resto do mundo, o foco da espiritualidade estava mais a oeste em Finisterra. Por isso, quase todas as referências a Finisterra provêem de viajantes estrangeiros e historiadores, desde Ptolomeu do Egipto, no início da era cristã, até George Borrow no século XVIII.
Seja qual for a causa da sua relativa obscuridade, o certo é que apenas 5% dos peregrinos que chegam a Santiago seguem para Finisterra. No entanto a sua popularidade está crescendo, e começa a ser percebida como uma extensão do caminho principal, convertendo-se no lugar de chegada ao “Fim do Mundo”.
Nesta Evasão, iniciamos a nossa viagem em Ribadeo, na entrada do antigo Reino das Astúrias. Seguimos o Caminho do Norte que passa nesta pequena povoação galega, que conduziu tantos peregrinos que vinham por terra desde França, ou por mar desembarcando nos portos vascos e cantábricos, procedentes de países atlânticos como a Inglaterra, a Flandres, a Alemanha e a Escandinávia.
Uma vez chegados a Castropol, os peregrinos embarcavam para cruzar a ria de Ribadeo, ou bordeavam a sua margem direita até à ponte de Santiago, passando aí para terras galegas. Na Galiza, a rota de peregrinação está bem documentada, partindo da Vila de Ribadeo, porto de desembarque de peregrinos, seguindo pelos vales de Vila Nova de Lourenzá e Mondonedo, cruzando as terras altas de Vilalba e Guitiriz, recebendo a hospitalidade do Mosteiro de Sobrado dos Monxes, antes de unir-se em Arzua ao Caminho Francês. Em poucas jornadas mais, os peregrinos estariam diante da tumba do apóstolo.
Depois de Santiago, seguimos para Negreira, Olveiroa, entrando na Costa da Morte através de Muxia, seguindo posteriormente até Finisterra. As pedras de Ara Solis aguardavam-nos como sempre no final do caminho, no local onde o Sol se esconde por detrás da Terra.
Ficam algumas imagens do caminho e as palavras de John Tolkien no livro “Lord of the Rings”.

The Road goes ever on and on,
Down from the door where it began.
Now far ahead the Road has gone,
And I must follow, if I can,
Pursuing it with eager feet,
Until it joins some larger way
Where many paths and errands meet.
And whither then? I cannot say.

domingo, 28 de julho de 2013

O Caminho do Norte: de Ribadeo a Finisterra

No dia 4 de Agosto de 2013 vamos partir de Ribadeo, pequena povoação localizada na fronteira entre as Astúrias e a Galiza, seguindo pelo antigo Caminho do Norte e pelo Caminho da Costa da Morte até Finisterra.
Passaremos por Santiago de Compostela, entraremos na Costa da Morte através de Muxia, e finalizaremos o Caminho no farol do cabo Finisterra ao por do sol do dia 16 de Agosto de 2013.
O Cabo Finisterra: o final do Caminho de Santiago de Compostela na Costa da Morte | Clica na imagem
No decurso da atividade vamos atravessar a Galiza de lés a lés em 13 etapas, de acordo com o seguinte agendamento:
Etapa 1 | Ribadeo » Lourenzá | 4 de Agosto | 30 km
Etapa 2 | Lourenzá » Gontán (1ª parte e 2ª parte) | 5 de Agosto | 23 km
Etapa 3 | Gontán » Vilalba | 6 de Agosto | 24 km
Etapa 4 | Vilalba » Baamonde | 7 de Agosto | 18 km
Etapa 5 | Baamonde » Miraz | 8 de Agosto | 20 km
Etapa 6 | Miraz » Sobrado | 9 de Agosto | 21 km
Etapa 7 | Sobrado » Arzúa | 10 de Agosto | 19 km
Etapa 8 | Arzúa » O Pedrouzo | 11 de Agosto | 19 km
Etapa 9 | O Pedrouzo » Santiago | 12 de Agosto | 20 km
Etapa 10 | Santiago » Negreira | 13 de Agosto | 21 km
Etapa 11 | Negreira » Olveiroa | 14 de Agosto | 37 km
Etapa 12 | Olveiroa » Muxia | 15 de Agosto | 28 km
Etapa 13 | Muxia » Finisterra (1ª parte e 2ª parte) | 16 de Agosto | 30 km
Para obteres mais informações sobre o Caminho, clica nos links associados a cada etapa. O site Xacobeo Galicia têm toda a informação que necessitas para explorar as jornadas desta Evasão.
Para inscrições e informação adicional contacta evasaoverde@gmail.com.
Um bom caminho para todos!

Pelos Jardins até à Serra do Buçaco | Fotos

No dia 28 de Julho de 2013 percorremos o conjunto monumental do Buçaco, que mobiliza uma riqueza patrimonial de exceção. Ao núcleo central formado pelo Palace Hotel do Buçaco e pelo convento de Santa Cruz juntam-se as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõe a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Buçaco, os cruzeiros, as fontes e as cisternas, os miradouros ou as casas florestais.
O percurso com aproximadamente 15 quilómetros permitiu desvendar locais fascinantes como o convento de Santa Cruz, construído na simplicidade eremítica do Deserto, apresentando uma planta única em Portugal: a igreja domina um espaço sem claustros, com os pátios a imprimir regularidade ao conjunto. Ou seja, de acordo com a fundação mata do Buçaco, “nesta originalíssima ideia de usufruto espiritual é a igreja que se inscreve dentro de um espaço claustral simulado, recuperando a organização da ideia mítica do Templo de Jerusalém”.
Dentro da cerca conventual, apesar da extinção em 1834 da ordem dos Carmelitas descalços do Buçaco, subsistem as capelas de devoção e as ermidas de habitação, construídas para a vontade religiosa de reclusão. Todas elas atestam o desejo em torno do ideal de ascetismo e despreendimento material.
A partir de 1644, sob a égide de Dão Manuel Saldanha, reitor da Universidade de Coimbra, ergueu-se, à imagem de Jerusalém, uma Via Sacra de fortíssimos contornos ideológicos e propagandísticos, destinada a representar os passos da paixão de Jesus Cristo.
A 27 de Setembro de 1810 a mata foi palco da Batalha do Buçaco, um dos episódios sangrentos das invasões napoleónicas em Portugal, tendo o convento servido de base de operações ao Duque de Wellington no confronto entre as tropas luso-britânicas e francesas.
O Palace Hotel, construído entre 1888 e 1907, é considerado um dos pontos de maior interesse de todo o conjunto. Sob o projeto do cenógrafo italiano Luigi Marini, o edifício inscreve-se no cruzamento cultural de sentido romântico e nacionalista que absorve influências manuelinas e renascentistas.
Exploramos todos estes locais, mergulhados na Mata Nacional do Buçaco, resultado da permanência dos Carmelitas Descalços no seu “Deserto”.
Revelando ainda zonas da floresta autóctone portuguesa, a Mata foi sendo tratada por sucessivas gerações de monges de modo a representar o Monte Carmelo como o local originário da Ordem. Atualmente ocupa cerca de 105 hectares e possui uma das melhores coleções de plantas lenhosas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos com exemplares notáveis, sendo uma das Matas Nacionais mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural de Portugal.
Ficam as fotos e um trilho único como convite a um passeio num local mágico que importa descobrir, disfrutar e preservar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Pelos Jardins até à Serra do Buçaco 28/07/2013

No dia 28 de Julho de 2013 iremos efetuar uma caminhada numa das matas portuguesas mais ricas em património natural, arquitetónico e cultural.

A Mata Nacional do Buçaco é um bosque secular com árvores gigantescas, variadas, provenientes das longínquas terras de Missão, acarinhadas ao longo de cerca de 200 anos pelos carmelitas, que ali permaneceram até à extinção das ordens religiosas em 1834.

Classificado como imóvel de interesse público, o conjunto monumental do Buçaco mobiliza uma riqueza patrimonial de exceção. Ao núcleo central formado pelo Palace Hotel do Buçaco e pelo Convento de Santa Cruz juntam-se as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Bussaco, os cruzeiros, as fontes (saliente-se a Fonte Fria com a sua monumental escadaria) e as cisternas, os miradouros (o da Cruz Alta oferece vista privilegiada sobre toda a região entre Coimbra e a Serra do Caramulo) ou as casas florestais.

Para além de explorarmos os Jardins, seguiremos também até à Serra do Buçaco, em tempos também chamada Serra da Alcoba, onde são captadas as águas do Luso e das Caldas de Penacova.



A caminhada começará às 10:30 da manhã na Capela São João Evangelista, no centro do Luso, nas seguintes coordenadas: 40°23'2.77"N (latitude) e 8°22'34.98"W (longitude). O percurso apresenta um grau de dificuldade baixo, sendo no entanto recomendável que levem alimentos, água, impermeável, chapéu, protetor solar e calçado confortável.

Caso estejam interessados em participar enviem um e-mail de confirmação para evasãoverde@gmail.com.

domingo, 7 de julho de 2013

À descoberta do Brasil 21/05/2013

As previsões meteorológicas não eram as mais favoráveis, os percalços no caminho eram espectáveis, mas a aventura era garantida e estava prestes a começar… com a consciência da valentia dos marinheiros de há cinco séculos atrás, rumámos às terras de Vera Cruz.

Ao contrário dos nossos corajosos antepassados que seguiram em naus e caravelas até Porto Seguro, onde indígenas receberam Pedro Álvares Cabral com curiosidade, nós aterrámos no Aeroporto de Guarulhos, na Região Metropolitana de S. Paulo, cujos 19 milhões de habitantes de diversas nacionalidades receberam-nos com… relativa indiferença.

Depois de um “café da manhã”, com suco de uva, papaia, mamão e muito pão de queijo morno, seguimos num tour pedonal urbano e cultural começando na avenida mais mítica de S. Paulo. Na Av. Paulista marcou-nos a diversidade arquitectónica, em formas, cores e materiais, como que numa competição pela sua imagem, a sua demarcação no território, como espécies botânicas de uma densa floresta de betão, aço e vidro, que competem pelo seu raio de atenção e protagonismo. Aqui, executivos misturam-se com jovens estudantes, senhoras nas suas compras quotidianas e “faxineiras” que, seguindo no seu passo assertivo, respirando a responsabilidade do trabalho e dos negócios, cruzam pedintes encardidos, sentados junto às fachadas.

Descendo a avenida parámos no MASP – Museu de Arte de S. Paulo, com obras contemporâneas de autores brasileiros, e também do barroco e do romântico, com grande predominância dos mestres italianos, claramente…

Seguimos para a Av. Vergueiro e Av. da Liberdade até à Catedral da Sé, um edifício do sec. XX mas com um estilo noegótico, inspirado nas grandes catedrais medievais europeias. O seu interior, tranquilo, solene e silencioso, contrastante com o bulício e agitação da cidade, permitia que diversas pessoas, de diferentes idades e condições sociais, ali parassem para a sua oração. Lá fora, na Praça da Sé, ladeada de altas palmeiras, pessoas seguiam firmes na sua passada rotineira, mas a maioria eram vagueantes, sem abrigo, que com o seu olhar perdido na vida, observavam a cidade a correr. Estão sentados nos degraus da escadaria, estão nos muretes da praça à sombra da vegetação. Homens sem trabalho, sujos, agrupam-se, uns para discutir qualquer assunto, outros a praguejar, outros assistem de forma interessada o discurso de um exaltado pastor de fé.

Seguimos em direcção ao Theatro Municipal, um elegante edifício do início do séc. XX, de estilo arquitetónico inspirado na Ópera de Paris. Neste trajecto pela “baixa” da cidade, os passeios estavam apinhados de pessoas que corriam em todas as direções, formando uma cidade viva, agitada, acelerada. Na zona do Theatro e do Viaduto do Chá, eram homens e mulheres que abordavam o transeunte para venda de jóias, de marroquinaria, prolifera o mercado paralelo e é possível assistir a vendedores ambulantes, vindos de algures, a correr desenfreadamente fugindo da polícia.

Deixando este cenário, seguimos em direcção a um completamente oposto – tranquilo, mais natural e mais enriquecedor - o Parque da Luz e a Pinacoteca do Estado que lhe fica adjacente. A Pinacoteca – Museu/Escola de Arte foi uma agradável surpresa - O edifício, o ambiente tranquilo e a qualidade da exposição. Obras alusivas ao tempo colonial, referências a um Brasil recém explorado, transportou-nos cinco séculos no passado, com toda a realidade sentida à época…fosse boa e construtiva, fosse lamentosa.

No dia seguinte, seguimos em direção ao Parque da Independência, junto ao Riacho de Ipiranga, onde D. Pedro IV de Portugal, tornava o Brasil independente. Com essa referência histórica como partida, fomos visitar as cidades costeiras de Santos, S. Vicente e a Ilha de Guarajá onde os navegadores portugueses chegaram a este Estado. Estas cidades têm um significado histórico muito forte, uma vez que colónia do Brasil foi oficialmente estabelecida em São Vicente (hoje Santos) em 1532 pelos portugueses, e a praia onde desembarcaram conserva-se naturalizada e ainda resiste o padrão dos descobrimentos às águas agitadas do atlântico. 

O percurso pelas rodovias que nos levaram até Santos – Anchieta e Imigrantes - é dominado pelos camiões de carga que estabelecem o circuito entre as indústrias da metrópole e o porto de Santos, o maior do Brasil e o mais movimentado da América latina. Porém, estas rodovias são rodeadas pela densa floresta selvagem da costa Atlântica, onde ainda vivem pumas e onças pintadas. A beleza da designada Mata Atlântica é deslumbrante, com montanhas luxuriantes, cascatas e flora diversificada, dando abrigo a diferentes espécies de animais, aves e borboletas de cores magníficas.

Ao final do dia quisemos ser surpreendidos pelo manto de luzes, cintilantes e perpétuas no manto escuro da noite, que enaltece a beleza do trabalho e do engenho do homem, quer na criação de uma metrópole como S. Paulo, quer na construção de um arranha-céus, em cujo topo, no 45º andar, se deleita um restaurante concerto - a Torre Itália.

No dia seguinte, seguimos para S. José dos Campos onde permanecemos dois dias – o encontro com famílias, amigos, gentes nascidas no Brasil há duas, três gerações, outras que foram trazidas em tenra idade. Ouviram-se histórias de trabalho, de luta, de uma vida de emigração bem sucedida, entre sorrisos, abraços e fotografias.

Ao quinto dia da nossa estada no Brasil quisemos conhecer um dos picos mais elevados do país – O Pico do Itapeva, com 2030m de altitude, é dos poucos pontos altos acessíveis por rodovia e está a um par de horas de S. José dos Campos. Aproveitámos para conhecer a “Suiça Brasileira”- Campos de Jordão e o seu belíssimo Horto Florestal onde pudemos efetuar “trilhas”, contemplar cachoeiras e uma diferente massa vegetal – predominante no pinheiro e nas araucárias – entre outras espécies que completaram um floresta mista em tons de Outono, que em Portugal tão bem conhecemos (os castanhos, os amarelos dourados, os vermelhos) e que não esperávamos encontrar num país tropical.

No dia seguinte, tínhamos que regressar a S. José dos Campos pois havia um avião para o Rio de Janeiro para apanhar e o culminar desta pequena viagem, numa avioneta de duas hélices, não podia deixar de ser contada…

A abordagem aérea ao Rio de Janeiro foi ao cair da noite. Num céu a escurecer mas onde os tons rosa-poente ainda sobreviviam, lá em baixo, as luzes da cidade assinalavam os seus contornos, as suas artérias e os seus pontos vitais. A longa ponte de Niteroi, toda pontilhada de amarelo, deixava prever um regresso a casa demorado, as principais artérias estavam bem vincadas pelas luzes dos congestionamentos e, de repente, uma estrutura ovalado, em tons néon azuis, roxos, lilazes, marcava a presença do grandioso estádio do Maracanã. Pequenas e trémulas luzinhas espalhavam-se pelas encostas dos morros, as avenidas do litoral Copacana, Ipanema e Botafogo, representavam compridas linhas concavas azuladas, num limite que o oceano impõe. E algures no alto, bem firme, bem brilhante, salientando-se no escuro que o cercava – o Cristo Redentor. E com este panorama, aterrávamos na Baía de Guanabara…

Quente, vibrante, com edifícios deslumbrantes no seu toque colonial, carregados de história, contrastantes com a vida moderna de um Brasil independente e próspero, os seus jardins de palmeiras tropicais, o pavimento em calçada portuguesa, rica, nobre e luminosa, abençoada pelo Cristo erguido do alto, que a acolhe nos seus braços fraternos – Esta é a cidade maravilhosa.

No dia que amanheceu solarengo e com um calor ameno, fizemos um tour ao Pão de Açúcar, à Praia Vermelha na Baía de Guanabara, ao Corcovado e Cristo Redentor, passando pelo Parque Nacional da Mata da Tijuca, com regresso por uma favela. Observámos de perto o Estádio do Maracanã e a passarella do Sambódromo de Oscar Nimayer. No final fomos deslumbrados pela Catedral Metropolitana. O aspecto cónico, linear e cinzento do betão exterior, não deixava adivinhar a obscuridade do silêncio, da reflexão, da elevação que o interior da forma afunilada imprimia. E suspenso, um único elemento iluminado – Cristo na Cruz.

Quando a noite caiu, quisemos ser guiados pela música popular brasileira. Ao vivo, deambulámos pela bossa-nova, pelo samba, choro e forró, e provámos os petiscos gastronómicos do Rio Scenarium. No coração do bairro boémio da Lapa, deixámo-nos seduzir pelas antiguidades deste casarão, transportados ao país colonial, com os seus artefactos, objectos de relicário e dos diferentes tipos de comércio, estatuetas das belas negras e trajes da época, permitindo-nos entrar em diferentes cenários da vida quotidiana dos últimos séculos.

No dia seguinte enveredámos por uma caminhada pela costa – um táxi deixou-nos no extremo do bairro nobre do Leblon, no sopé do Morro Dois Irmãos e fomos calcorreando a calçada portuguesa junto à praia, saboreando o ameno calor de Outono até inflectirmos para o interior, pelo jardim Alah (Alá), o parque que divide os bairros de Leblon e de Ipanema, até encontrar a Lagoa Rodrigo de Freitas. A visão desta lagoa interior, tranquila, que reflecte os morros e as torres que a rodeiam, estabeleceu um contraste instantâneo com a paisagem marítima, transformando a cidade num burgo continental. Depois de saboreada a tranquilidade da lagoa e dos nobres bairros de edifícios cuidados, atraentes, voltamos ao sabor marítimo, cruzando o bairro de Ipanema, o Arpoador e o Forte de Copacabana, até estendermos a nossa visão por esta longa e belíssima praia.

Como já levávamos cerca de dez quilómetros nos pés, decidimos apanhar um táxi para “saltar” Botafogo, Flamengo, e continuarmos a nossa trilha urbana a partir do centro. Aí permitimo-nos uma viagem no tempo, de um Brasil pós-colonial e Imperial, de fortes influências portuguesas e saboreamos as iguarias da Confeitaria Colombo, passeámos pela Praça Floriano, com os imponentes edifícios do Teatro Municipal, do Museu Nacional de Belas Artes e do palácio Pedro Ernesto. A noite já tinha caído, as luzes sublimavam os imponentes edifícios e era noite de estreia do bailado “O Quebra Nozes”. A baixa não podia estar mais mágica.

Mas havia que deitar cedo. Amanhã esperava-nos uma ilha… Considerado um paraíso ecológico tropical, a segunda Maravilha do Rio de Janeiro, com mais de 100 praias de areia branca fina e águas verde-azuladas, a Ilha Grande, é exuberante pela mata atlântica, oferecendo trilhas aventurosas, com cachoeiras, um elevado grau de humidade atmosférica, onde os animais selvagens, pacíficos, como macacos bugios, Saguis, tatus, cobras e lagartos andam à solta. Este é o cenário dominante: o verde tropical contrasta com o azul-turquesa da água…

Na Vila de Abraão, as ruas são maioritariamente em areia e a eletricidade pode falhar. Para a nossa pousada, construída sobre estacas de madeira entre formações rochosas naturais, o acesso era exclusivamente pela praia… nesta, umas trémulas velas e archotes marcam um bar e um restaurante na areia, onde o marisco e o peixe são soberbos…

Nos dias que aqui passámos, fizemos a trilha do Aqueduto – que nos permitiu refrescar na Cachoeira da Feiticeira e escutar em silêncio os sons da floresta tropical – aves exóticas como o pica-pau, tiés, sabiás e saracuras que não conseguíamos ver dada a densa vegetação, misturavam-se com o som intenso da água.

O percurso que optámos por fazer entre a Vila Abraão e a famosa praia de Lopes Mendes exigiu quase cinco horas de concentração permanente. Sob os gritos fortes do bugio, o maior primata da ilha, e o olhar nervoso dos saguis, tentámos manter a passada firme e não escorregar nas trilhas de textura argilosa que mais parecia barro pronto a moldar sob os nossos pés, entrecortado pelas raízes da densa vegetação que nos cercava e que não permitia a penetração de um único raio de sol.

Atravessámos ainda duas praias belíssimas – Palmas e Pouso - de um areal fino, mas mais curto, com as palmeiras quase a atingir a água cristalina… e algures dentro da vegetação, com a porta direcionada eternamente para o mar, uma pequena capela, branca, de contornos azuis. A gambiarra colorida, brilhava ao sol com a agitação do vento, fazendo-nos recordar que o povo brasileiro, na sua simplicidade, na sua estreita comunhão com a magnânima natureza… por mais remoto que esteja… é um povo de alegria.

Rota da Cividade | Fotos

Num dia quente de Verão, percorremos os caminhos rurais que ligam a Cividade de Bagunte à mítica povoação de Vilarinho, por onde passam os peregrinos do caminho de Santiago de Compostela.

A Cividade constitui-se num dos grandes povoados da Cultura Castreja do noroeste da península Ibérica e terá sido um centro populacional de apreciáveis dimensões, ombreando com outros povoados como a Citânia de Sanfins (Paços de Ferreira), a Citânia de Briteiros (Guimarães), o Castro das Eiras (Vila Nova de Famalicão) e o Castro de Alvarelhos (Trofa), sendo como núcleo arqueológico, um dos mais importantes vestígios históricos do concelho de Vila do Conde.

Em posição dominante no alto de uma elevação proeminente, constitui-se num povoado fortificado da Idade do Ferro, posteriormente romanizado, apresentava-se como a guardiã da entrada dos vales dos rios Ave e Este, coadjuvada por um grupo de pequenos povoados do mesmo período, coexistentes na região imediatamente circundante. Possuía cerca de oitocentas casas, onde habitaram quatro mil pessoas defendidas por cinco linhas de muralhas.

A nossa rota permitiu-nos descobrir a Cividade e ficar a conhecer melhor uma região rodeada de campos de milho, repleta de segredos antigos, perdidos entre bosques e bouças, refrescados pela brisa Atlântica.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Rota da Cividade 06/07/2013

No dia 6 de Julho de 2013 seguiremos até às imediações de Vila do Conde para efetuar a Rota da Cividade de Bagunte, que estrutura uma visita pedonal num percurso situado entre a ponte do Zameiro e a ponte de São Miguel em Arcos, passando pela Cividade de Bagunte, maior e mais antigo monumento nacional do concelho.

De acordo com o site da Camara Municipal de Vila do Conde, o percurso parte da ponte medieval do Zameiro e segue para norte por um pequeno troço da antiga “Via Veteris” para o largo da Senhora da Ajuda, de onde se ergue uma pequena capela barroca. Aí, o percurso inflete para nascente e, cerca de um quilómetro depois, chega ao local onde outrora se ergueu uma Villa romana - “a Vila Verde”. Descoberta no início do século XX, ali apareceram várias sepulturas datáveis pelas moedas ali aparecidas entre o século III e o século V da nossa Era.

De Vila Verde a rota segue para a aldeia de Figueiró de Baixo, onde se pode ver um forno de cal conservado na Casa Peniche e conhecer um pouco da história da Villa Fikeirola - uma casa de origem romana que ali existiu até à Idade Média. De Figueiró de Baixo, o percurso segue pelo meio da floresta na direção da Cividade de Bagunte, subindo suavemente para Vilar, também local com interesse no período romano e daí para Casal Pedro, por entre altos muros, numa estrada florestal que evita o percurso ao longo das ruas da aldeia de Bagunte. Em Casal Pedro, a rota inflete para Este atingindo o centro da aldeia de Bagunte, no lugar de Santana, onde se situa a Igreja da Freguesia.

Descendo até à Igreja, a rota passa em frente ao cemitério e segue entre casas até encontrar à sua esquerda por um caminho florestal que, circundando por Sul a Quinta da Granja leva à Quinta de Cavaleiros e ao lugar de Corvos, na base da Cividade de Bagunte, onde antigas ruinas aguardam visita. Depois da visita à Cividade seguiremos para a ponte de São Miguel de Arcos, regressando até à ponte do Zameiro pelo Caminho de Santiago.  


A caminhada começará às 9:00 da manhã na ponte do Zameiro, nas seguintes coordenadas: 41°21'4.28"N (latitude) e 8°40'53.13"W (longitude). O percurso apresenta um grau de dificuldade baixo, sendo no entanto recomendável que levem alimentos, água, impermeável, chapéu, protetor solar e calçado confortável.

Caso estejam interessados em participar enviem um e-mail de confirmação para evasãoverde@gmail.com.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Viagem à Pré-História | Fotos

A poucos quilómetros do Porto existe uma Serra ampla, repleta de vastos horizontes sobre o litoral Atlântico, que alberga um património geológico precioso que importa desvendar.

Desde o fenómeno das pedras parideiras, tão fácil de observar nas imediações do Carvalhal, passando pelos diversos registos fósseis de um mundo pré-histórico antigo, onde as trilobites derivavam pelos montes que outrora eram fundo oceânico, até ao imponente vale do Caima, de onde se desprende a majestosa frecha da Misarela, até às antigas aldeias que pontuam o território, com os seus campos de cereal ondulantes, a Serra da Freita apresenta-se como um património precioso que importa explorar.

Assim, no passado Sábado efetuamos a Viagem à Pré-História, também designada de Pequena Rota 15. O percurso desvendou uma boa amostra do melhor que a Freita têm para oferecer, conduzindo-nos desde o frondoso Merujal, até à bucólica ruralidade de Albergaria da Serra, atravessando montes e vales pontuados com vacas, pedras e eólicas até ao Carvalhal, seguindo depois pela montanha até à Mizarela, de onde se pode avistar a grande e emblemática cascata do Geoparque de Arouca.

Num dia ensolarado, com uma agradável brisa sempre presente, o PR 15 valeu pela diversidade de elementos estéticos na paisagem, pela marcação regular, e pela facilidade com que pode ser executado, constituindo uma excelente opção para todos aqueles que gostam de caminhar.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Viagem à Pré-História 22/06/2013

No dia 22 de Junho de 2013 seguiremos até à Serra da Freita para efetuar um percurso que será uma autêntica “Viagem à Pré-História”.

O PR15 de Arouca incluirá amplas panorâmicas sobre o maciço da Freita, a observação da Frecha da Mizarela, assim como diversos elementos de elevada riqueza geológica, histórica e paisagística. Para mais informações sobre o percurso “clique aqui”.


A caminhada começará às 9:30 da manhã no Parque de Campismo de Merujal nas seguintes coordenadas: 40°52'23.60"N (latitude) e 8°17'30.31"W (longitude). O percurso apresenta um grau de dificuldade moderado, sendo recomendável que levem alimentos, água, impermeável, chapéu, protetor solar e calçado confortável.

Caso estejam interessados em participar enviem um e-mail de confirmação para evasãoverde@gmail.com.

domingo, 2 de setembro de 2012

À descoberta da Escócia | Fotos

No dia 22 de Agosto de 2012 partimos à descoberta de um país que reúne algumas das áreas mais impressionantes da vida selvagem do Reino Unido. Efetuando 12 percursos pedestres de excelência, ao longo de 11 dias, descobrimos cenários de enorme beleza, com montanhas, lagos e orlas costeiras de tirar o fôlego.

Na nossa viagem demos a volta à Escócia, atravessando os 440 km de extensão do território, incluindo uma visita às ilhas Orkney e Skye, o que permitiu desvendar uma topografia montanhosa, com charnecas de urze selvagem a norte e oeste, florestas de pinheiros mediadas por amplas pastagens, quintas férteis a leste e, a sul, os montes arredondados e cobertos de erva das Terras Baixas.

Este país de contrastes brindou-nos com as montanhas imponentes das Highlands e com as suaves ondulações dos vales das Lowlands, acompanhadas por falésias abruptas e densas florestas milenares. Entre a paisagem, exploramos os românticos castelos escoceses, localizados quer em pequenas ilhas suspensas em lagos tranquilos, quer em encostas escarpadas junto ao mar.

Obviamente, não podemos deixar de mencionar as rotas pelos maltes escoceses, efectuadas em aconchegantes pubs, onde a hospitalidade de um povo acolhedor e "bem-disposto" faz com que qualquer viajante se sinta em casa.

O primeiro trilho "calcorreado" foi em Inchcailloc, que nos permitiu conhecer uma pequena e verdejante ilha localizada no coração do Loch (lago) Lomond. Posteriormente, seguimos pelo trilho do Conic Hill, para obter uma panorâmica ampla do lago, das ilhas e das montanhas circundantes.

Deslocando-nos para noroeste, encontramos o Loch Morlich e um pequeno trilho circular neste lago, pautado por uma floresta verdejante e antiga, nas margens do espelho de água. De seguida, rumamos até Inverness, capital das Highlands, para aceder ao lago do famoso monstro, a Nessy, que infelizmente só conseguimos avistar o pescoço, do alto do trilho Old CoffinRoad.

Apanhando novamente a estrada, fomos até um dos locais mais emblemáticos da Escócia: a ilha Skye. A maior das Hébridas interiores pode ser alcançada pela extraordinária ponte sobre o Atlântico, que liga Kyle of Lochalsh a Kyleakin. Uma história geológica turbulenta concedeu à ilha algumas das paisagens mais diversas e acentuadas da Grã- Bretanha. Do planalto vulcânico no norte da Skye até aos cumes esculpidos pelo gelo dos Cuillins, a ilha é dividida por inúmeros braços de mar, nunca deixando o viajante a mais de 8 km do Atlântico. Aqui, efectuamos um trilho extraordinário, no ponto mais a norte, intitulado Rubha Hunish, que nos proporcionou uma amostra significativa deste local tão precioso da Escócia.

Abandonando Skye, seguimos para norte, para conhecer um dos locais mais extraordinários desta Evasão. Localizado no alto de uma colina com grandes panorâmicas, o Fyrish Monument surgiu como um vulto em pedra na paisagem, lembrando a força da identidade de um povo em harmonia com a natureza.

Continuando para norte, passando por Altnaharra, encontramos uma das montanhas mais espetaculares das Highlands: o Ben Hope. Em condições meteorológicas instáveis, com ventos a roçar os 50 km/h, e a ameaça constante de tempestade, subimos ao cume, descobrindo amplas perspectivas dos maciços montanhosos das Terras Altas.

Apanhando uma estrada de montanha, seguimos para noroeste até à pequena cidade portuária de Scrabster, onde entramos num ferry com destino às Orkney. Atravessando a ilha, exploramos os lendários círculos de pedra, percursores do mítico Stonehenge, e efetuamos o percurso Brough of Birsay, no extremo norte da ilha.

Seguindo por ferry numa viagem nocturna de 7h até Aberdeen, conduzimos novamente pelas estradas escocesas até Stoneheaven, para desvendar o memorial de Black Hill e o castelo de Dunotar. A cidade de Stirling, o nosso próximo destino, presenteou-nos com um percurso com epicentro no Wallace Monument, que lembra a vitória de William Wallace sobre os ingleses na luta pela independência da Escócia.

Concluímos a nossa Evasão com quatro trilhos que nos permitiram desvendar Edimburgo: Old Town, New Town, Calton Hill e Arthur's Seat. O centro da capital está dividido ao meio pela Princes Street, a principal zona de comércio da cidade. A sul situa-se a Old Town, local da antiga cidade, que se desenvolveu ao longo da Royal Mile, desde o Castle Rock, a oeste, até ao The Palace of Holyroodhouse, a leste. No final do século XVIII, iniciou-se a construção da New Town a norte da Princes Street, exemplo mundial da arquitetura urbana jorgiana, com as suas fachadas elegantes e ruas amplas.

Não podíamos deixar a Escócia sem visitar o Castelo de Edimburgo, situado no centro de basalto de um vulcão extinto, onde estão guardadas as Insígnias Reais e a Pedra do Destino, relíquia dos antigos reis escoceses, usurpada pelos ingleses e devolvida ao país em 1996.

Após a viagem, fica a memória de uma terra com características únicas, com o seu traje nacional tão próprio (o kilt), a gastronomia regada com whisky e cervejas tradicionais, a gaita-de-foles, a paisagem e o folclore, que constitui uma identidade reconhecida em todo o mundo. Fica o registo de um país de contrastes espantosos, detentor de uma natureza mágica, quer seja vista envolta em névoa ou erguendo-se majestosa sobre um lago.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

À descoberta da Escócia 22/08/2012

No dia 22 de Agosto de 2012 partiremos rumo à Escócia, para explorar um dos locais mais misteriosos da velha Europa: uma região com uma história turbulenta, antigos castelos, e um inverno rigoroso, berço do inigualável “scotch whisky” que aquece as gentes das highlands nas noites mais frias (e a garganta dos viajantes mais friorentos).

Terra de mitos e lendas, repleta de histórias transmitidas de “geração em geração”, a Escócia é vigiada pela silhueta de altas montanhas, guardiãs de tesouros indiscritíveis que se revelam ao longo de inúmeros trilhos admiravelmente documentados no website walkhighlands. Ilhas mágicas e antigas florestas de pinheiros repletas de contos de monstros e criaturas mágicas, que estão na origem de grande parte do imaginário ocidental perpetuado em livros, filmes e outras expressões artísticas que povoam a fantasia de novos e velhos, coexistem com cidades monumentais firmemente enraizadas na paisagem.
É esta terra, intensa em cultura e carácter, que inspirou tantos artistas a construírem quadros de sonho que transformaram o mundo. E o melhor de tudo, é que a Escócia não é um mito - existe! -  e será alvo de uma Evasão, que se espera ser a primeira de muitas, a um local verdadeiramente Verde, rodeado pelo azul profundo de um Atlântico frio e infinito.

Fazendo uma ponte entre as terras celtas do tão nosso planalto Mirandês, deixaremos as memórias do Intercéltico nas raízes das montanhas torradas de Trás-os-Montes, e zarparemos rumo a Norte, acompanhados pelo som dos tambores e das gaitas de foles, para descobrir uma paisagem única, que aqui documentaremos, na perspectiva de promover novas Evasões a um local tão precioso, acessível a todos aqueles que gostam de caminhar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Arribas de Sendim & Intercéltico 05/08/2012

No dia 5 de Agosto de 2012 efetuaremos o percurso “As arribas de Sendim”, em pleno Festival Intercéltico, ao som das gaitas de foles e dos tambores. Com aproximadamente 15 quilómetros de extensão, o percurso terá início na igreja da Vila de Sendim, e desenvolver-se-á de uma forma circular, conduzindo-nos por antigos estradões até às arribas do Douro.

A hora de inicio da caminhada será marcada na véspera, pelo que os interessados deverão enviar um e-mail para evasaoverde@gmail.com para obter informação precisa do agendamento da mesma, e proceder à confirmação de eventual participação.


Importa referir que esta Evasão será uma excelente forma de usufruir da 13ª edição Intercéltico de Sendim, que realizar-se-á entre os dias 3 e 5 de Agosto. Aos habituais dois dias de animação folqueira com seis espetáculos no Parque das Eiras, adiciona-se mais uma noite de tradição mirandesa.


A décima terceira edição do Festival Intercéltico de Sendim ficará marcada pelos concertos de dois grandes grupos da folk europeia: GWENDAL (grupo proveniente da Bretanha francesa, a celebrar 40 anos de vida!…) e NUEVO MESTER DE JUGLARIA (fundados em finais de 1969, oriundos das vizinhas terras de Castilla y Léon). Duas apostas fortíssimas, às quais não podemos deixar de acrescentar a vinda de um dos mais aclamados grupos no que se refere a concertos ao vivo, os LE VENT DU NORD (vindos das longínquas paragens do Quebéc canadiano).

Bem menos remotas mas bastante diversificadas são as terras de origem dos elementos do grupo ASSEMBLY POINT (Portugal, Galiza e Irlanda), numa “mistura” musical verdadeiramente explosiva. E, para representarem a folk portuguesa, nada mais nada menos do que dois grupos da respectiva frente de excelência: os REALEJO e os TOQUES DO CARAMULO.

Para mais informações consultar o site do evento.